segunda-feira, 29 de abril de 2013
FUTURO do SUBJUNTIVO - ‘Se eu ver’ ou ‘se eu vir’? Veja como conjugar o futuro do subjuntivo - CRASE - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa
‘Se eu ver’ ou ‘se eu vir’? Veja como conjugar o futuro do subjuntivo
Formação do FUTURO do SUBJUNTIVO
O futuro do subjuntivo indica um futuro hipotético.
É usado principalmente em orações condicionais (se…) e temporais (quando…).
Deriva-se da 3ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo (trocar a terminação “ram” por “r”): eles fizeram (– “ram”) > fize (+ r) = se eu fizer ou quando eu fizer; eles trouxe(ram) = quando eu trouxer; eles quise(ram) = se eu quiser…
Veja mais exemplos:
Infinitivo – Pret. Perf. Ind. (3ª plural) = Fut. do Subj. (se ou quando…)
DIZER – Eles disse(ram) = disser
PÔR – Eles puse(ram) = puser
SER e IR – Eles fo(ram) = for
VIR – Eles vie(ram) = vier
VER – Eles vi(ram) = vir
É por isso que o futuro do subjuntivo do verbo VER fica: “se eu vir o filme”; “quando você vir o resultado do teste”; “quando nos virmos novamente”; “se vocês virem a verdade”…
CRASE?
Observação do leitor: “Lendo sua coluna, estranhei a crase na frase ‘Isso não está adequado à nossa empresa’. Favor corrigir-me se eu estiver errado, pois entendo que antes de pronome demonstrativo não se usa crase.”
Temos aqui uma pequena confusão. É correto afirmarmos que jamais ocorre a crase antes dos pronomes demonstrativos. O problema é que pronomes demonstrativos são este, esta, estes, estas, isto, isso, esse, essa…
Assim sendo, não haverá crase em:
“O diretor referiu-se a esta proposta.”
“Fazia referência a essa situação…”
Com pronomes demonstrativos, só é possível haver crase com os pronomes aquele, aquela, aqueles, aquelas e aquilo:
“O diretor referiu-se àquela proposta.”
“Fazia referência àquele fato.”
Na frase a que se refere o leitor, o que temos é um pronome possessivo: nossa. Nesse caso, quando o pronome possessivo está no feminino e no singular (minha, tua, sua, nossa e vossa), o uso do acento da crase é facultativo, porque pode haver o artigo definido ou não:
“Estamos a ou à sua disposição.”
“Isso não está adequado a ou à nossa empresa.”
LITERALMENTE existe?
Leitor afirma: “A palavra literalmente não existe. O Aurélio e o dicionário Michaelis não a registram.”
Existe sim.
Os advérbios de modo terminados em “mente” são derivados de adjetivos: rápido – rapidamente; leve – levemente; claro – claramente; suave – suavemente; literal – literalmente…
Os dicionários, em geral, só registram os adjetivos. Isso não significa que os advérbios derivados “não existam”.
Dizer que “a frase foi traduzida literalmente” significa que a frase foi traduzida “ao pé da letra”, ou seja, “sem nenhuma alteração”, “exatamente como foi escrita no texto original”.
Inadmissível é usar o advérbio “literalmente” com o sentido de “completamente ou totalmente”: “O atacante estava literalmente impedido”; “A janela está literalmente fechada”.
Pior ainda é usar “literalmente” em frases metafóricas:
“O estádio tornou-se literalmente um caldeirão”. Se fosse verdade, todos morreriam cozidos.
“Neste domingo, Neymar parou literalmente o Brasil”. Impossível, absurdo.
“Na entrevista coletiva, o técnico estava literalmente sem saco”. Sem comentários.
Brilhava OU brilhavam?
Leitora critica: “Na frase ‘era um pisca-pisca musical no qual brilhava cerca de 100 luzinhas’, o verbo brilhar pode ser usado no singular? Por quê? Porque ‘cerca de’ permite (ou exige?) que o verbo seja empregado no singular?”
Não exige nem permite. Minha querida e atenta leitora, pode ter sido apenas um erro de digitação. O verbo deveria estar no plural para concordar com o núcleo do sujeito (= luzinhas).
Quando usamos as expressões “cerca de”, “perto de”, “por volta de”, “em torno de”, o verbo deve concordar com o núcleo do sujeito (=substantivo):
“Cerca de dez alunos compareceram à aula.”
“Perto de 200 candidatos já foram reprovados.”
“Por volta de 50 inscritos desistiram.”
“Em torno de 2 mil torcedores viajaram.”
Assim sendo, o certo é “…na qual brilhavam cerca de 100 luzinhas”.
DESAFIO
Qual é a forma correta:
“A sociedade ONDE ou EM QUE vivemos…”?
As duas formas são possíveis. Eu prefiro dizer “…a sociedade em que vivemos…”
Se nós vivemos “em algum lugar”, nós podemos usar o pronome “onde”. O problema é que “sociedade” não caracteriza bem um “lugar”, por isso prefiro usar a forma “em que”. Se fosse mundo, país ou cidade, não haveria dúvida alguma de que as duas formas estariam perfeitas: “…o mundo onde ou em que vivemos”.
Erro mesmo seria dizer “…a sociedade que vivemos…”
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Aonde ou onde? Entenda as diferenças e veja dicas para não errar - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa
Aonde ou onde? Entenda as diferenças e veja dicas para não errar
“Esta é a rua ONDE ou AONDE fica o nosso depósito”?
O mais adequado é: “Esta é a rua ONDE fica o nosso depósito.” ONDE significa “no lugar” (=o depósito fica NA RUA).
AONDE significa “ao lugar”. Só pode ser usado com verbos cuja regência pede a preposição “a” (IR, CHEGAR, DIRIGIR-SE, LEVAR…): “Esta é a praia AONDE fomos no sábado passado” (=fomos À PRAIA).
Observe a diferença: “Esta é a cidade ONDE ela nasceu” (=ela nasceu NA CIDADE); “Este é o bairro ONDE ele mora” (=ele mora NO BAIRRO); “Esta é a sala ONDE estamos” (=estamos NA SALA); “Esta é a cidade AONDE gosto de ir nas férias” (=gosto de ir À CIDADE); “Este é o estádio AONDE fui ontem” (=fui AO ESTÁDIO); “Este é o lugar AONDE ele quer chegar” (=ele quer chegar AO LUGAR).
CÂMARA OU CÂMERA
Carta do internauta: “A língua portuguesa vive me surpreendendo. Eu sempre acreditei que CÂMARA e CÂMERA tinham significados diferentes. Após o jornal O Globo ter informado que serão instaladas câmaras de vídeo no Túnel Rebouças, recorri ao Aurélio para confirmar o equívoco. Mas lá consta o seguinte: CÂMERA variante de CÂMARA.”
Meu caro internauta, você fez muito bem em recorrer ao Aurélio. É pesquisando que muitas vezes destruímos certas “verdades” que um dia aprendemos como sendo o “certo”.
Só discordo da sua primeira afirmativa. Neste caso, não é a língua portuguesa que nos causa a surpresa. A verdade é que a palavra CÂMERA sempre foi uma variante de CÂMARA. Não são apenas o novíssimo Aurélio e o dicionário Michaelis que fazem tal afirmação. Na edição do grande Caldas Aulete, de 1970, já estava registrado CÂMERA como variante de CÂMARA.
Isso significa, portanto, independentemente do que aprendemos um dia no nosso passado próximo ou distante, que podemos dizer “câmera de vídeo e câmera fotográfica” ou, se preferirmos, “câmara de vídeo e câmara fotográfica”.
É como costumo dizer: nem sempre é uma questão de certo ou errado, muitas vezes é uma questão de preferência, é uma questão de estilo.
Curiosidade
Você sabia que DEPREDAR nada tem a ver com PEDRA. Não existe “depedração”, mas sim DEPREDAÇÃO.
DEPREDAR significa “destruir, devastar, saquear”. Para depredar não é necessário usar pedras.
O internauta quer saber
Por que a palavra TÁXI tem acento?
TÁXI é uma palavra paroxítona terminada em “i”. Todas as palavras paroxítonas terminadas em “i” ou “is” devem receber acento gráfico: táxi, táxis, júri, lápis, tênis…
A frase “As escolas melhores colocadas na pesquisa recebem prêmios” está correta?
Está errada. São as escolas MELHOR ou MAIS BEM colocadas. Advérbio é invariável. A palavra melhor só tem plural quando é adjetivo: “as melhores escolas…”
Melhore o seu vocabulário
“Parar, suster, aguentar” é …
(a) pairar;
(b) abranger;
(c) angariar.
Resposta: letra (a). Quando ouvimos que “uma dúvida ainda pairava no ar”, significa que ainda “existia uma dúvida”, é como se uma dúvida ainda “voava, aguentava no ar”. ABRANGER é “conter em si, incluir” e ENGARIAR é “obter, pedindo a um e a outro; alcançar, granjear, recrutar”.
Teste da semana
Que opção completa corretamente as lacunas da frase “Os motivos __________ ele não veio foram ______ explicados”?
(a) porque / mal;
(b) por que / mal;
(c) porque / mau;
(d) por que / mau;
(e) por quê / mal.
Resposta do teste: letra (b). A palavra PORQUE deve ser escrita separadamente sempre que pudermos substituí-la por POR QUAL, PELO QUAL, PELA QUAL… Como são os motivos PELOS QUAIS ele não veio, devemos escrever “Os motivos POR QUE ele não veio”. E se os motivos não foram BEM explicados, é porque foram MAL explicados. MAL se opõe a BEM. MAU é o adjetivo que se opõe a BOM.
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- Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa
Saiba quando usar e quando evitar as palavras estrangeiras
Na nossa campanha contra os modismos, chegou a hora de analisarmos o uso excessivo dos estrangeirismos.
Por muito tempo, em nossas escolas, os professores ensinavam como “erro” o uso de galicismos (palavras de origem francesa). Era proibido falar ou escrever abajur, chofer, detalhe… Éramos obrigados a substituir por quebra-luz, motorista e pormenor. E o tempo provou que estávamos enganados. Hoje, todos nós usamos – sem culpa ou pecado – abajur, chofer e detalhe. Temos até um belíssimo réveillon, na sua forma original.
Agora o inimigo são os anglicismos. Palavras e expressões inglesas infestam e poluem a nossa fala. Temos um festival de beach soccer, play off, delivery, shopping, brainstorming, software, marketing e tantos outros.
A presença de termos estrangeiros no uso diário de uma língua não é crime nem sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de vitalidade. Só as línguas vivas têm essa capacidade de enriquecimento. A forte presença do inglês na língua portuguesa é reflexo da globalização, do imperialismo econômico, do desenvolvimento tecnológico americano etc. Poderíamos citar muitas outras causas, mas há uma em especial que merece destaque: a paixão do brasileiro em geral pelas “coisas estrangeiras”. Nós adoramos a grife, o carro importado, a palavra estrangeira. Tudo dá status.
É, portanto, um problema muito mais cultural do que simplesmente linguístico.
Valorizar a língua portuguesa, sim; fechar as portas, não.
Há no congresso um projeto de valorização da língua portuguesa. Valorizar nosso idioma é louvável, mas é um absurdo criar uma lei que possa vir a punir o seu João da esquina porque escreveu hot dog em vez de cachorro-quente.
Se aprovada, será mais um péssimo exemplo de lei a não ser cumprida neste país. Quem vai fiscalizar?
Não precisamos de lei para proteger a nossa língua. Necessitamos, sim, é de recursos para melhorar o nosso ensino, investir na educação, talvez criar um Instituto Machado de Assis, semelhante ao Instituto Camões, de Portugal, e ao Instituto Cervantes, da Espanha.
E aí você me pergunta: e a Barra da Tijuca? Eu respondo: qualquer semelhança com Miami não é mera coincidência.
E é contra isso, contra os exageros, contra os modismos, que devemos lutar. A nossa crítica deve concentrar-se no ridículo, no “desnecessário”. Para que “sale”, se sempre vendemos? Por que “startar”, se podemos começar, iniciar, principiar? Se podemos entregar em domicílio, para que serve o ridículo “delivery”?
O modismo a ser criticado é esta lista imensa de palavras e expressões inglesas para as quais a nossa língua já está bem provida: beach soccer (futebol de areia), paper (documento), printar (imprimir)…
O aportuguesamento de termos estrangeiros também é uma boa saída. É só lembrar o futebol, o blecaute, o estresse, o balé, o filé, o chope, o espaguete…
E o que fazer com o dumping? Não conseguimos aportuguesar e não há em português uma palavra para traduzi-la: “é quando uma empresa faz preços abaixo do mercado para quebrar o concorrente”. É demais. Nestas horas, o termo estrangeiro é bem-vindo, pois enriquece a língua. E há outros bons exemplos: ranking, show, marketing, impeachment. São palavras devidamente incorporadas à nossa língua cotidiana.
Portanto, nada de radicalismos. É importante valorizar a língua portuguesa, mas nada de purismo e xenofobia.
TRIBUTO, TAXA e IMPOSTO
O internauta diz: “Na sua coluna você informa que taxa é ‘tributo, imposto; ou razão de juro’. No art.5, o Código Tributário Nacional distingue: ‘Os tributos são impostos, taxas, e contribuições de melhoria’. Vale dizer: tributo é gênero; impostos, taxas e contribuições de melhoria são espécies. Ou seja, taxa é tributo; mas não é imposto, que é outra modalidade de tributo.”
A definição da palavra taxa publicada nesta coluna é aquela que a maioria dos nossos dicionários apresenta.
Os meus amigos advogados já haviam me ensinado a diferença.
Usando uma linguagem mais simples para que todos nós, leigos, possamos entender:
TAXA – Tipo de tributo para o qual há uma contrapartida, a prestação de um serviço por exemplo. Nós pagamos a taxa do lixo para que a prefeitura retire o lixo; pagamos a taxa de iluminação pública para que haja iluminação nas vias públicas…
IMPOSTO – Tipo de tributo para o qual não há uma contrapartida específica. Nós pagamos Imposto de Renda porque temos renda; pagamos IPTU, porque temos uma casa, um apartamento, um terreno; pagamos IPVA, porque temos um automóvel, um barco, um avião…
TRIBUTO – É um termo genérico. Engloba taxas, impostos e contribuições. É tudo aquilo que pagamos para viver na “tribo”, ou seja, em sociedade. Daí o tribuno para nos representar e o tribunal para julgar os que vivem na tribo.
Qual é o plural de SEM-TERRA?
Pergunta de vários leitores: “Muitos usam a palavra “sem-terras” no singular, outros no plural. Qual é o certo?”
As palavras compostas com a preposição SEM, tipo sem-terra e sem-teto são invariáveis. Devemos dizer “os sem-terra” e “os sem-teto”.
Não seguem, portanto, a regra que manda flexionar o segundo elemento (=substantivo) quando o primeiro for invariável (=preposição): contra-ataques, vice-campeões.
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Palavras Estrangeiras - Saiba quando usar e quando evitar - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa
Saiba quando usar e quando evitar as palavras estrangeiras
Na nossa campanha contra os modismos, chegou a hora de analisarmos o uso excessivo dos estrangeirismos.
Por muito tempo, em nossas escolas, os professores ensinavam como “erro” o uso de galicismos (palavras de origem francesa). Era proibido falar ou escrever abajur, chofer, detalhe… Éramos obrigados a substituir por quebra-luz, motorista e pormenor. E o tempo provou que estávamos enganados. Hoje, todos nós usamos – sem culpa ou pecado – abajur, chofer e detalhe. Temos até um belíssimo réveillon, na sua forma original.
Agora o inimigo são os anglicismos. Palavras e expressões inglesas infestam e poluem a nossa fala. Temos um festival de beach soccer, play off, delivery, shopping, brainstorming, software, marketing e tantos outros.
A presença de termos estrangeiros no uso diário de uma língua não é crime nem sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de vitalidade. Só as línguas vivas têm essa capacidade de enriquecimento. A forte presença do inglês na língua portuguesa é reflexo da globalização, do imperialismo econômico, do desenvolvimento tecnológico americano etc. Poderíamos citar muitas outras causas, mas há uma em especial que merece destaque: a paixão do brasileiro em geral pelas “coisas estrangeiras”. Nós adoramos a grife, o carro importado, a palavra estrangeira. Tudo dá status.
É, portanto, um problema muito mais cultural do que simplesmente linguístico.
Valorizar a língua portuguesa, sim; fechar as portas, não.
Há no congresso um projeto de valorização da língua portuguesa. Valorizar nosso idioma é louvável, mas é um absurdo criar uma lei que possa vir a punir o seu João da esquina porque escreveu hot dog em vez de cachorro-quente.
Se aprovada, será mais um péssimo exemplo de lei a não ser cumprida neste país. Quem vai fiscalizar?
Não precisamos de lei para proteger a nossa língua. Necessitamos, sim, é de recursos para melhorar o nosso ensino, investir na educação, talvez criar um Instituto Machado de Assis, semelhante ao Instituto Camões, de Portugal, e ao Instituto Cervantes, da Espanha.
E aí você me pergunta: e a Barra da Tijuca? Eu respondo: qualquer semelhança com Miami não é mera coincidência.
E é contra isso, contra os exageros, contra os modismos, que devemos lutar. A nossa crítica deve concentrar-se no ridículo, no “desnecessário”. Para que “sale”, se sempre vendemos? Por que “startar”, se podemos começar, iniciar, principiar? Se podemos entregar em domicílio, para que serve o ridículo “delivery”?
O modismo a ser criticado é esta lista imensa de palavras e expressões inglesas para as quais a nossa língua já está bem provida: beach soccer (futebol de areia), paper (documento), printar (imprimir)…
O aportuguesamento de termos estrangeiros também é uma boa saída. É só lembrar o futebol, o blecaute, o estresse, o balé, o filé, o chope, o espaguete…
E o que fazer com o dumping? Não conseguimos aportuguesar e não há em português uma palavra para traduzi-la: “é quando uma empresa faz preços abaixo do mercado para quebrar o concorrente”. É demais. Nestas horas, o termo estrangeiro é bem-vindo, pois enriquece a língua. E há outros bons exemplos: ranking, show, marketing, impeachment. São palavras devidamente incorporadas à nossa língua cotidiana.
Portanto, nada de radicalismos. É importante valorizar a língua portuguesa, mas nada de purismo e xenofobia.
TRIBUTO, TAXA e IMPOSTO
O internauta diz: “Na sua coluna você informa que taxa é ‘tributo, imposto; ou razão de juro’. No art.5, o Código Tributário Nacional distingue: ‘Os tributos são impostos, taxas, e contribuições de melhoria’. Vale dizer: tributo é gênero; impostos, taxas e contribuições de melhoria são espécies. Ou seja, taxa é tributo; mas não é imposto, que é outra modalidade de tributo.”
A definição da palavra taxa publicada nesta coluna é aquela que a maioria dos nossos dicionários apresenta.
Os meus amigos advogados já haviam me ensinado a diferença.
Usando uma linguagem mais simples para que todos nós, leigos, possamos entender:
TAXA – Tipo de tributo para o qual há uma contrapartida, a prestação de um serviço por exemplo. Nós pagamos a taxa do lixo para que a prefeitura retire o lixo; pagamos a taxa de iluminação pública para que haja iluminação nas vias públicas…
IMPOSTO – Tipo de tributo para o qual não há uma contrapartida específica. Nós pagamos Imposto de Renda porque temos renda; pagamos IPTU, porque temos uma casa, um apartamento, um terreno; pagamos IPVA, porque temos um automóvel, um barco, um avião…
TRIBUTO – É um termo genérico. Engloba taxas, impostos e contribuições. É tudo aquilo que pagamos para viver na “tribo”, ou seja, em sociedade. Daí o tribuno para nos representar e o tribunal para julgar os que vivem na tribo.
Qual é o plural de SEM-TERRA?
Pergunta de vários leitores: “Muitos usam a palavra “sem-terras” no singular, outros no plural. Qual é o certo?”
As palavras compostas com a preposição SEM, tipo sem-terra e sem-teto são invariáveis. Devemos dizer “os sem-terra” e “os sem-teto”.
Não seguem, portanto, a regra que manda flexionar o segundo elemento (=substantivo) quando o primeiro for invariável (=preposição): contra-ataques, vice-campeões.
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Saiba quando usar e quando evitar as palavras estrangeiras
Na nossa campanha contra os modismos, chegou a hora de analisarmos o uso excessivo dos estrangeirismos.
Por muito tempo, em nossas escolas, os professores ensinavam como “erro” o uso de galicismos (palavras de origem francesa). Era proibido falar ou escrever abajur, chofer, detalhe… Éramos obrigados a substituir por quebra-luz, motorista e pormenor. E o tempo provou que estávamos enganados. Hoje, todos nós usamos – sem culpa ou pecado – abajur, chofer e detalhe. Temos até um belíssimo réveillon, na sua forma original.
Agora o inimigo são os anglicismos. Palavras e expressões inglesas infestam e poluem a nossa fala. Temos um festival de beach soccer, play off, delivery, shopping, brainstorming, software, marketing e tantos outros.
A presença de termos estrangeiros no uso diário de uma língua não é crime nem sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de vitalidade. Só as línguas vivas têm essa capacidade de enriquecimento. A forte presença do inglês na língua portuguesa é reflexo da globalização, do imperialismo econômico, do desenvolvimento tecnológico americano etc. Poderíamos citar muitas outras causas, mas há uma em especial que merece destaque: a paixão do brasileiro em geral pelas “coisas estrangeiras”. Nós adoramos a grife, o carro importado, a palavra estrangeira. Tudo dá status.
É, portanto, um problema muito mais cultural do que simplesmente linguístico.
Valorizar a língua portuguesa, sim; fechar as portas, não.
Há no congresso um projeto de valorização da língua portuguesa. Valorizar nosso idioma é louvável, mas é um absurdo criar uma lei que possa vir a punir o seu João da esquina porque escreveu hot dog em vez de cachorro-quente.
Se aprovada, será mais um péssimo exemplo de lei a não ser cumprida neste país. Quem vai fiscalizar?
Não precisamos de lei para proteger a nossa língua. Necessitamos, sim, é de recursos para melhorar o nosso ensino, investir na educação, talvez criar um Instituto Machado de Assis, semelhante ao Instituto Camões, de Portugal, e ao Instituto Cervantes, da Espanha.
E aí você me pergunta: e a Barra da Tijuca? Eu respondo: qualquer semelhança com Miami não é mera coincidência.
E é contra isso, contra os exageros, contra os modismos, que devemos lutar. A nossa crítica deve concentrar-se no ridículo, no “desnecessário”. Para que “sale”, se sempre vendemos? Por que “startar”, se podemos começar, iniciar, principiar? Se podemos entregar em domicílio, para que serve o ridículo “delivery”?
O modismo a ser criticado é esta lista imensa de palavras e expressões inglesas para as quais a nossa língua já está bem provida: beach soccer (futebol de areia), paper (documento), printar (imprimir)…
O aportuguesamento de termos estrangeiros também é uma boa saída. É só lembrar o futebol, o blecaute, o estresse, o balé, o filé, o chope, o espaguete…
E o que fazer com o dumping? Não conseguimos aportuguesar e não há em português uma palavra para traduzi-la: “é quando uma empresa faz preços abaixo do mercado para quebrar o concorrente”. É demais. Nestas horas, o termo estrangeiro é bem-vindo, pois enriquece a língua. E há outros bons exemplos: ranking, show, marketing, impeachment. São palavras devidamente incorporadas à nossa língua cotidiana.
Portanto, nada de radicalismos. É importante valorizar a língua portuguesa, mas nada de purismo e xenofobia.
TRIBUTO, TAXA e IMPOSTO
O internauta diz: “Na sua coluna você informa que taxa é ‘tributo, imposto; ou razão de juro’. No art.5, o Código Tributário Nacional distingue: ‘Os tributos são impostos, taxas, e contribuições de melhoria’. Vale dizer: tributo é gênero; impostos, taxas e contribuições de melhoria são espécies. Ou seja, taxa é tributo; mas não é imposto, que é outra modalidade de tributo.”
A definição da palavra taxa publicada nesta coluna é aquela que a maioria dos nossos dicionários apresenta.
Os meus amigos advogados já haviam me ensinado a diferença.
Usando uma linguagem mais simples para que todos nós, leigos, possamos entender:
TAXA – Tipo de tributo para o qual há uma contrapartida, a prestação de um serviço por exemplo. Nós pagamos a taxa do lixo para que a prefeitura retire o lixo; pagamos a taxa de iluminação pública para que haja iluminação nas vias públicas…
IMPOSTO – Tipo de tributo para o qual não há uma contrapartida específica. Nós pagamos Imposto de Renda porque temos renda; pagamos IPTU, porque temos uma casa, um apartamento, um terreno; pagamos IPVA, porque temos um automóvel, um barco, um avião…
TRIBUTO – É um termo genérico. Engloba taxas, impostos e contribuições. É tudo aquilo que pagamos para viver na “tribo”, ou seja, em sociedade. Daí o tribuno para nos representar e o tribunal para julgar os que vivem na tribo.
Qual é o plural de SEM-TERRA?
Pergunta de vários leitores: “Muitos usam a palavra “sem-terras” no singular, outros no plural. Qual é o certo?”
As palavras compostas com a preposição SEM, tipo sem-terra e sem-teto são invariáveis. Devemos dizer “os sem-terra” e “os sem-teto”.
Não seguem, portanto, a regra que manda flexionar o segundo elemento (=substantivo) quando o primeiro for invariável (=preposição): contra-ataques, vice-campeões.
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Palavras Estrangeiras - Saiba quando usar e quando evitar - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa
Saiba quando usar e quando evitar as palavras estrangeiras
Na nossa campanha contra os modismos, chegou a hora de analisarmos o uso excessivo dos estrangeirismos.
Por muito tempo, em nossas escolas, os professores ensinavam como “erro” o uso de galicismos (palavras de origem francesa). Era proibido falar ou escrever abajur, chofer, detalhe… Éramos obrigados a substituir por quebra-luz, motorista e pormenor. E o tempo provou que estávamos enganados. Hoje, todos nós usamos – sem culpa ou pecado – abajur, chofer e detalhe. Temos até um belíssimo réveillon, na sua forma original.
Agora o inimigo são os anglicismos. Palavras e expressões inglesas infestam e poluem a nossa fala. Temos um festival de beach soccer, play off, delivery, shopping, brainstorming, software, marketing e tantos outros.
A presença de termos estrangeiros no uso diário de uma língua não é crime nem sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de vitalidade. Só as línguas vivas têm essa capacidade de enriquecimento. A forte presença do inglês na língua portuguesa é reflexo da globalização, do imperialismo econômico, do desenvolvimento tecnológico americano etc. Poderíamos citar muitas outras causas, mas há uma em especial que merece destaque: a paixão do brasileiro em geral pelas “coisas estrangeiras”. Nós adoramos a grife, o carro importado, a palavra estrangeira. Tudo dá status.
É, portanto, um problema muito mais cultural do que simplesmente linguístico.
Valorizar a língua portuguesa, sim; fechar as portas, não.
Há no congresso um projeto de valorização da língua portuguesa. Valorizar nosso idioma é louvável, mas é um absurdo criar uma lei que possa vir a punir o seu João da esquina porque escreveu hot dog em vez de cachorro-quente.
Se aprovada, será mais um péssimo exemplo de lei a não ser cumprida neste país. Quem vai fiscalizar?
Não precisamos de lei para proteger a nossa língua. Necessitamos, sim, é de recursos para melhorar o nosso ensino, investir na educação, talvez criar um Instituto Machado de Assis, semelhante ao Instituto Camões, de Portugal, e ao Instituto Cervantes, da Espanha.
E aí você me pergunta: e a Barra da Tijuca? Eu respondo: qualquer semelhança com Miami não é mera coincidência.
E é contra isso, contra os exageros, contra os modismos, que devemos lutar. A nossa crítica deve concentrar-se no ridículo, no “desnecessário”. Para que “sale”, se sempre vendemos? Por que “startar”, se podemos começar, iniciar, principiar? Se podemos entregar em domicílio, para que serve o ridículo “delivery”?
O modismo a ser criticado é esta lista imensa de palavras e expressões inglesas para as quais a nossa língua já está bem provida: beach soccer (futebol de areia), paper (documento), printar (imprimir)…
O aportuguesamento de termos estrangeiros também é uma boa saída. É só lembrar o futebol, o blecaute, o estresse, o balé, o filé, o chope, o espaguete…
E o que fazer com o dumping? Não conseguimos aportuguesar e não há em português uma palavra para traduzi-la: “é quando uma empresa faz preços abaixo do mercado para quebrar o concorrente”. É demais. Nestas horas, o termo estrangeiro é bem-vindo, pois enriquece a língua. E há outros bons exemplos: ranking, show, marketing, impeachment. São palavras devidamente incorporadas à nossa língua cotidiana.
Portanto, nada de radicalismos. É importante valorizar a língua portuguesa, mas nada de purismo e xenofobia.
TRIBUTO, TAXA e IMPOSTO
O internauta diz: “Na sua coluna você informa que taxa é ‘tributo, imposto; ou razão de juro’. No art.5, o Código Tributário Nacional distingue: ‘Os tributos são impostos, taxas, e contribuições de melhoria’. Vale dizer: tributo é gênero; impostos, taxas e contribuições de melhoria são espécies. Ou seja, taxa é tributo; mas não é imposto, que é outra modalidade de tributo.”
A definição da palavra taxa publicada nesta coluna é aquela que a maioria dos nossos dicionários apresenta.
Os meus amigos advogados já haviam me ensinado a diferença.
Usando uma linguagem mais simples para que todos nós, leigos, possamos entender:
TAXA – Tipo de tributo para o qual há uma contrapartida, a prestação de um serviço por exemplo. Nós pagamos a taxa do lixo para que a prefeitura retire o lixo; pagamos a taxa de iluminação pública para que haja iluminação nas vias públicas…
IMPOSTO – Tipo de tributo para o qual não há uma contrapartida específica. Nós pagamos Imposto de Renda porque temos renda; pagamos IPTU, porque temos uma casa, um apartamento, um terreno; pagamos IPVA, porque temos um automóvel, um barco, um avião…
TRIBUTO – É um termo genérico. Engloba taxas, impostos e contribuições. É tudo aquilo que pagamos para viver na “tribo”, ou seja, em sociedade. Daí o tribuno para nos representar e o tribunal para julgar os que vivem na tribo.
Qual é o plural de SEM-TERRA?
Pergunta de vários leitores: “Muitos usam a palavra “sem-terras” no singular, outros no plural. Qual é o certo?”
As palavras compostas com a preposição SEM, tipo sem-terra e sem-teto são invariáveis. Devemos dizer “os sem-terra” e “os sem-teto”.
Não seguem, portanto, a regra que manda flexionar o segundo elemento (=substantivo) quando o primeiro for invariável (=preposição): contra-ataques, vice-campeões.
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PAROXÍTONAS - Palavras paroxítonas terminadas em ‘em’ ou ‘ens’ não recebem acento - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa
Palavras paroxítonas terminadas em ‘em’ ou ‘ens’ não recebem acento
Deu no jornal: “Por causa destes cinco ítens, que causaram a reprovação…”
Observação de um leitor: “Desconheço as regras que permitam acentuar a palavra ítens.”
Eu também.
As palavras paroxítonas terminadas em “em” ou “ens” não recebem acento gráfico: jovem, jovens; ordem, ordens; nuvem, nuvens; homem, homens; modem, modens; item, itens; polens, abdomens, liquens, hifens…
O PLURAL DE BRASIL É BRASIS?
É isso mesmo.
As palavras terminadas em “il” fazem plural segundo a posição da sílaba tônica:
a) Palavras oxítonas = a terminação “il” vira “is”: funil – funis; barril – barris; Brasil – Brasis;
b) Palavras paroxítonas = a terminação “il” vira “eis”: projétil – projéteis; estêncil – estênceis; fóssil – fósseis.
MAGÉRRIMO ou MACÉRRIMO?
Internauta quer saber se a forma “magérrimo” já é aceitável.
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras, registra duas formas: magérrimo e macérrimo.
O dicionário Aurélio registra, mas classifica “magérrimo” como um superlativo anormal.
O dicionário Michaelis também registra. Classifica “magérrimo” como anormal e diz que o certo é macérrimo.
Não é uma questão de certo ou errado. As duas formas são aceitáveis.
A forma “magérrimo” é característica da linguagem coloquial brasileira. Sem dúvida, é a variante mais usada.
Em textos formais, que exijam o padrão culto, o melhor é usar macérrimo.
FEMURAL ou FEMORAL?
Comentário de um leitor: “Na reportagem sobre a internação de um artista, o texto explicativo e o desenho ilustrativo do procedimento médico de cateterismo para a cinecoronariografia indicam a artéria “femural”, quando o correto é FEMORAL”
O nosso leitor está certíssimo. Embora o osso da coxa seja o FÊMUR com “u”, o adjetivo a ele relacionado deve ser escrito com “o”, ou seja, o certo é FEMORAL.
ATEMPORAL ou INTEMPORAL?
Internauta quer saber se a palavra ATEMPORAL está errada, pois, segundo ele, não encontrou em nenhum dicionário pesquisado.
Até bem pouco tempo, ensinava aos meus alunos que, embora a forma ATEMPORAL fosse de uso corrente, o certo era usar o adjetivo INTEMPORAL. Mas a língua é viva…
O novo dicionário Aurélio e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras, já registram a palavra ATEMPORAL.
Assim sendo, não se considera “erro” o uso do adjetivo ATEMPORAL. Temos oficialmente as duas opções: INTEMPORAL ou ATEMPORAL. Você decide.
IR A ou IR PARA?
Leitor quer saber qual é a distinção entre “eu vou a São Paulo” e “eu vou para São Paulo”.
As duas formas são corretas. A regência do verbo IR aceita tanto a preposição “a” quanto a preposição “para”. A diferença é semântica, ou seja, há uma pequena alteração no sentido da frase.
O uso da preposição “a”, nesse caso, dá uma ideia de “transitoriedade”, de algo “passageiro”; a preposição “para” dá uma ideia de “permanência”, de algo “definitivo”.
Se você viajar a São Paulo, eu imagino uma viagem a serviço, que você vai e volta no mesmo dia, que se trata de uma viagem rápida.
Caso você viaje para São Paulo, eu posso imaginar que você foi transferido e vai ficar morando em São Paulo ou que se trata de uma viagem longa, sem data para voltar.
É interessante observar que, na linguagem popular, quando alguém é demitido ou um jogador é expulso de campo, dizemos que ele “foi pra rua” ou “foi pra fora”. É a ideia de “coisa definitiva”, e não transitória.
Assim sendo, no seu trabalho, uma “saidinha” é “ir à rua”. Quem “vai pra rua” geralmente não volta. É como a garotada que vai “pra noite” ou “pra praia”. É quem não tem hora para voltar.
É a velha dúvida de quem não sabe se manda alguém “a” ou “para” algum lugar.
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