quinta-feira, 2 de maio de 2013
Criticas e Elogios a Nova Reforma ortográfica - Dicas de Português
Reforma ortográfica, para quê?
Anda pela internet um alerta sobre uma possível reforma ortográfica. Parece manifesto terrorista.
Diz o texto que “até o final de 2007, entrará em vigor o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Os países-irmãos Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste terão, enfim, uma única forma de escrever.
As mudanças vão acontecer porque três dos oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificaram as regras gramaticais do documento proposto em 1990. Brasil e Cabo Verde já haviam assinado o acordo e esperavam a terceira adesão, que veio no final do ano passado, em novembro, por São Tomé e Príncipe”.
Quer dizer que três decidem o que oito terão de fazer? Isso é acordo? Fico impressionado com o poder de São Tomé e Príncipe, de Cabo Verde e, principalmente, do Brasil.
Não há dúvida de que o Brasil necessita de reformas, mas não na ortografia. Temos problemas mais urgentes. Precisamos de reformas na política, na economia, na educação, no judiciário.
Pelo visto, diante da dificuldade de fazer outras reformas, vamos mudar a ortografia. Se resolvermos os problemas do nosso sistema ortográfico, o brasileiro “com certeza” viverá melhor.
Mais adiante, o texto fala em unificação: “O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol. A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais. Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros”.
Ah, bom! Agora entendi. Estamos preocupados com os estrangeiros.
Até o santo nome do mestre Antônio Houaiss foi usado: “A escrita padronizada para todos os usuários do português foi um estandarte de Antônio Houaiss. O filólogo considerava importante que todos os países lusófonos tivessem a mesma ortografia”.
Entendo que uma padronização até poderia ser saudável, mas é quase impossível, e a verdade é que temos problemas mais sérios para resolver. Por dar consultoria a empresas jornalísticas há mais de dez anos, sei o quanto é difícil fazer uma uniformização.
Tenho meus temores, pois quem gosta exageradamente de padronizações é porque, no fundo, prefere uma “ditadura” a uma saudável flexibilidade que todas as línguas vivas apresentam.
Se a idéia de uniformização era um dos sonhos de Antônio Houaiss, fico sem entender os critérios que levaram a equipe de lexicógrafos do seu dicionário a registrar (a meu ver, acertadamente) vários vocábulos com dupla grafia: aterrissar/aterrizar; catorze/quatorze; co-seno/cosseno; hidrelétrica/hidroelétrica…
O texto da reforma aborda algumas mudanças: fim do acento circunflexo em palavras terminadas em “ôo(s)” e “êem” (abençôo, vôos, crêem, dêem, lêem, vêem); fim do acento agudo nos ditongos “éi” e “ói” (idéia, heróico); fim do trema (lingüiça, seqüência); fim do acento usado em “pára” (verbo) para diferenciar de “para” (preposição).
Gostaria de saber qual é a vantagem. Que ganhamos com isso?
Só posso imaginar que os defensores do fim do trema ficarão felizes. Querem acabar com o trema, que podemos aprender em um minuto, e ninguém fala do hífen, que nos incomoda durante toda a vida.
E a volta da letra “k”. Que alegria! Agora, vou poder escrever sem erro: disk-pizza, disk-chaveiro, disk-borracheiro, disk-sexo…
O alfabeto voltaria a ter 26 letras. Que bom! Se as palavras não poderão ter duas grafias, onde vamos usar o “w” e o “y”? É bom lembrar que, em palavras estrangeiras e nos adjetivos e substantivos do português derivados de nomes estrangeiros (kantismo, shakespereano), o uso do “k”, do “w” e do “y” nunca foi proibido.
Até parece que escrevemos mal por culpa do nosso atual sistema ortográfico, o qual aprendemos por memória visual, pelo bom hábito da leitura.
O que nos falta é incentivo à leitura, é melhorar nossas condições de ensino, é remunerar melhor os professores…
Falta é vontade política de se fazer uma real reforma na educação.
Em tempo: No dia 14 de setembro, em reunião no MEC, ficou decidido que o Brasil não vai implementar a tal reforma enquanto Portugal não aderir ao acordo.
G1 - Dicas de português 07/11/07
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Ortografia -> Parte 2 - Dicas de Português
Dicas de ortografia - Parte II
1ª) Devemos escrever com “SS” todas as palavras derivadas de verbos terminados em “GREDIR”:
AGREDIR – agressão, agressor, agressivo;
REGREDIR – regressão, regresso, regressivo;
PROGREDIR – progressão, progresso, progressivo;
TRANSGREDIR – transgressão, transgressor, transgressivo;
2ª) Devemos escrever com “SS” todas as palavras derivadas de verbos terminados em “MITIR”:
OMITIR – omissão;
DEMITIR – demissão, demissionário;
ADMITIR – admissão, admissível, inadmissível;
PERMITIR – permissão, permissivo, permissível;
TRANSMITIR – transmissão, transmissivo, transmissível, intransmissível, transmissor;
3ª) Devemos escrever com “SS” todas as palavras derivadas de verbos terminados em “CEDER”:
CEDER – cessão;
SUCEDER – sucessão, sucessivo;
CONCEDER – concessão, concessivo, concessionária.
4ª) Devemos escrever com “S” todas as palavras derivadas de verbos terminados em “ENDER”:
TENDER – tensão;
COMPREENDER – compreensão, compreensivo, compreensível, incompreensível;
APREENDER – apreensão, apreensivo, apreensível;
PRETENDER – pretensão, pretensioso, despretensioso;
ASCENDER – ascensão, ascensorista;
5ª) Devemos escrever com “S” todas as palavras derivadas de verbos terminados em “VERTER”:
VERTER – versão;
REVERTER – reversão, reverso, reversivo, reversível;
CONVERTER – conversão, conversível;
SUBVERTER – subversão, subversivo;
6ª) Devemos escrever com “S” todas as palavras derivadas de verbos terminados em “PELIR”:
EXPELIR – expulsão, expulso;
IMPELIR – impulsão, impulso;
REPELIR – repulsão, repulsivo.
7ª) Devemos escrever com “Ç” todas as palavras derivadas dos verbos TER e TORCER:
ATER – atenção;
DETER – detenção;
RETER – retenção;
OBTER – obtenção;
MANTER – manutenção;
ABSTER – abstenção;
TORCER – torção;
CONTORCER – contorção;
DISTORCER – distorção.
Teste da semana
Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase “Pela estrada _________ ela, o pai e eu: o relógio ________ três horas.”
(a) vínhamos / dera;
(b) vinhamos / dera;
(c) vinham / davam;
(d) vinham / deram;
(e) vínhamos / deram.
Resposta do teste: Letra (a). Quem vinha pela estrada era “ela, o pai e eu”, ou seja, “nós”. Quando um dos núcleos do sujeito composto for “eu”, o verbo deve concordar na primeira pessoa do plural (=nós vínhamos). O acento agudo no “i” se deve ao fato de ser uma forma proparoxítona: vínhamos. Na segunda lacuna, o verbo deve ficar no singular, porque o sujeito é “o relógio”: “o relógio dera…” Se não houvesse o sujeito (=o relógio), o verbo DAR deveria concordar com as horas: “Deram três horas”; “Deu uma hora da tarde”; “Davam dez horas da noite quando ele chegou”.
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Ortografia -> Parte 1 - Dicas de Português
Dicas de ortografia - Parte I
1ª) “–ISAR” ou “-IZAR”?
a) Escrevem-se com “s” (=ISAR) os verbos derivados de palavras que já
têm “s”:
análise > analisar
aviso > avisar
paralisia > paralisar
pesquisa > pesquisar
b) Escrevem-se com “z” (=IZAR) os verbos derivados de palavras que não
têm a letra “s”:
ameno > amenizar
civil > civilizar
fértil > fertilizar
legal > legalizar
normal > normalizar
real > realizar
suave > suavizar
2ª) “-SINHO” ou “-ZINHO”?
a) Escrevem-se com “s” (= SINHO) os diminutivos derivados de palavras que já têm a letra “s”:
casa > casinha
lápis > lapisinho
mesa > mesinha
país > paisinho
pires > piresinho
princesa > princesinha
tênis > tenisinho
b) Escrevem-se com “z” (= ZINHO) os diminutivos derivados de palavras que não têm a letra “s”:
animal > animalzinho
balão > balãozinho
café > cafezinho
chapéu > chapeuzinho
flor > florzinha
pai > paizinho
papel > papelzinho
Você sabia que a grafia oficial é…
1. adivinhar
2. advogado
3. aleijado
4. asterisco
5. astigmatismo
6. bandeja
7. beneficente
8. cabeleireiro
9. calvície
10. caranguejo
11. cinqüenta
12. companhia
13. criminologista
14. depredar
15. de repente
16. dilapidar
17. disenteria
18. empecilho
19. engajamento
20. espontaneidade
21. estupro
22. freada
23. jus
24. lagartixa
25. manteigueira
26. mendigo
27. meritíssimo
28. nhoque
29. prazerosamente
30. privilégio
31. propriedade
32. receoso
33. reivindicar
34. simplesmente
35. verossimilhança
Teste da semana
Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase “Cumpre que ________ concessões quando _____________ de assuntos políticos.”
(a) faça-se / se trata;
(b) se façam / se trata;
(c) se faça / trata-se;
(d) se faça / se tratam;
(e) se façam / se tratam.
Resposta do teste:
Letra (b). Em “que se façam concessões”, o verbo deve concordar no plural com o sujeito “concessões”. A partícula “se” é apassivadora. É um caso de voz passiva sintética (=que concessões sejam feitas). Em “quando se trata de assuntos políticos”, como o verbo tratar é transitivo indireto (=tratar-se de), não há voz passiva. Em razão disso, o verbo deve concordar no singular.
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Hífen - O uso do hífen - Dicas de Português
O uso do hífen – 1ª parte
Devemos usar o hífen:
1) Para dividir sílabas: or-to-gra-fi-a, gra-má-ti-ca, ter-ra, per-dô-o, ra-i-nha, trans-for-mar, tran-sa-ção, su-bli-me, sub-li-nhar, rit-mo…
2) Com pronomes enclíticos e mesoclíticos: encontrei-o, recebê-lo, reunimo-nos, encontraram-no, dar-lhe, tornar-se-á, realizar-se-ia…
3) Antes de sufixo -(GU)AÇU, -MIRIM, -MOR: capim-açu, araçá-guaçu, araçá-mirim, guarda-mor…
4) Em compostos em que o primeiro elemento é forma apocopada (BEL-, GRÃ-, GRÃO- …) ou verbal: bel-prazer, grã-fino, grão-duque, el-rei, arranha-céu, cata-vento, quebra-mola, pára-lama, beija-flor…
5) Em nomes próprios compostos que se tornaram comuns: santo-antônio, dom-joão, gonçalo-alves…
6) Em nomes gentílicos: cabo-verdiano, porto-alegrense, espírito-santense, mato-grossense…
7) Em compostos em que o primeiro elemento é numeral: primeiro-ministro, primeira-dama, segunda-feira, terça-feira…
8. Em compostos homogêneos (dois adjetivos, dois verbos): técnico-científico, luso-brasileiro, azul-claro, quebra-quebra, corre-corre, zigue-zague…
9) Em compostos de dois substantivos em que o segundo faz papel de adjetivo: carro-bomba, bomba-relógio, laranja-lima, manga-rosa, tamanduá-bandeira, caminhão-pipa…
10) Em composto em que os elementos, com sua estrutura e acento, perdem a sua significação original e formam uma nova unidade semântica: copo-de-leite, pé-de-moleque, couve-flor, tenente-coronel, pé-frio, unha-de-fome…
Teste da semana
Assinale a opção que completa corretamente as lacunas da frase
“_________ V.Sa. com ____________ subordinados os cuidados que tem ________________.”
(a) tende / vossos / convosco mesmo;
(b) tenha / vossos / consigo mesma;
(c) tenha / seus / convosco mesmo;
(d) tende / vossos / consigo mesmo;
(e) tenha / seus / consigo mesmo.
Resposta do teste: Letra (e). Vossa Senhoria é pronome de tratamento. A concordância é a mesma de VOCÊ, ou seja, deve ser feita com verbos e pronomes de terceira pessoa: “TENHA Vossa Senhoria com SEUS subordinados os cuidados que tem CONSIGO mesmo”.
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Palavras recentes publicadas em dicionário. - Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras.- Dicas de Português
Vejamos alguns exemplos que já aparecem registradas nas mais recentes edições de nossos principais dicionários e no Vocabulário Ortográfico publicado pela Academia Brasileira de Letras.
1. abóbada (e abóboda);
2. aborígene (e aborígine);
3. arteriosclerose (e aterosclerose);
4. assobiar (e assoviar);
5. aterrissar (e aterrizar);
6. babador (e babadouro);
7. bêbado (e bêbedo);
8. bebedouro (e bebedor);
9. berinjela (e beringela);
10. botijão (e bujão);
11. caatinga (e catinga);
12. chimpanzé (e chipanzé);
13. descarrilar (e descarrilhar);
14. diabetes (e diabete);
15. dignitário (e dignatário);
16. doceria (e doçaria);
17. estada (e estadia);
18. garagem (e garage);
19. hidrelétrica (e hidroelétrica);
20. infarto (infarte e enfarte e enfarto);
21. listra (e lista);
22. loura (e loira);
23. octacampeão (e octocampeão);
24. percentagem (e porcentagem);
25. quatorze (e catorze);
26. cota (e quota);
27. cotidiano (e quotidiano);
28. reescrever (e rescrever);
29. seriíssimo (e seríssimo);
30. subumano (e sub-humano);
31. taberna (e taverna);
32. tataraneto (e tetraneto);
33. televisionar (e televisar);
34. termelétrica (e termoelétrica);
35. terraplenagem (e terraplanagem);
36. trecentésimo (e tricentésimo);
37. voleibol (e volibol);
38. xucro (e chucro).
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ACENTUAÇÃO - Acentos gráficos - Dicas de Português
As dúvidas quanto ao uso dos acentos gráficos.
Vejamos alguns casos.
1. SECRETÁRIA ou SECRETARIA?
SECRETÁRIA é a pessoa; SECRETARIA é o lugar.
REGRA: Acentuam-se as palavras paroxítonas terminadas em ditongo:
SE-CRE-TÁ-RIA, a-é-reo, núp-cias, sé-rie, cá-ries, ób-vio, re-ló-gio, nó-doa, má-goas, á-gua, tá-buas, tê-nue, o-blí-quo, ár-duos, au-tóp-sia, fa-mí-lia, prê-mio, am-bí-guo, lon-gín-quo, en-xá-guas, de-sá-guam, mín-güem, bi-lín-güe…
OBSERVAÇÃO: Não haverá acento se a palavra terminar em hiato:
SE-CRE-TA-RI-A, ele ma-go-a, ele a-ve-ri-gu-a, a-pa-zi-gu-a, ar-gu-o, que eu ar-gu-a, ele in-flu-en-ci-a, ele no-ti-ci-a, eu pre-mi-o, ma-qui-na-ri-a …
2. RÚBRICA ou RUBRICA?
O certo é RUBRICA.
É uma palavra paroxítona terminada em “a”. Se fosse proparoxítona teria
acento.
REGRA: Todas as palavras proparoxítonas ( = sílaba tônica na antepenúltima sílaba) devem receber acento gráfico: álcool, álibi, amássemos, amávamos,
cágado, científico, depósito, devíamos, devidi-lo-íamos, êxodo, fôssemos, hábito, ímprobo, ínterim, ômega, pântano, plêiade, protótipo, repórteres, vermífugo…
OBSERVAÇÃO 1: Embora a forma acentuada seja aceitável, segundo a tradição as palavras deficit e habitat não têm acento gráfico porque são latinismos (palavras latinas que não foram aportuguesadas). Em textos do dia-a-dia, prefiro a forma acentuada: déficit, hábitat, superávit…
OBSERVAÇÃO 2: Cuidado com algumas palavras que não têm acento gráfico porque verdadeiramente são paroxítonas: avaro, aziago, ciclope, decano, erudito, filantropo, ibero, inaudito, pudico, refrega, rubrica …
3. APÔIO ou APOIO ou APÓIO?
“APÔIO” não existe;
APOIO é substantivo: “Preciso do seu apoio.”
APÓIO é verbo: “Eu apóio este candidato.”
REGRA: Acentuam-se as palavras que apresentam ditongos abertos:
ÉU: céu, réu, chapéu, troféus…
ÉI: papéis, pastéis, anéis, idéia, assembléia…
ÓI: dói, herói, eu apóio, esferóide…
OBSERVAÇÃO 1: Não se acentuam os ditongos fechados:
EU: seu, ateu, judeu, europeu…
EI: lei, alheio, feia…
OI: boi, coisa, o apoio…
OBSERVAÇÃO 2: No Brasil, colméia e centopéia são pronunciados com o timbre aberto.
Teste da semana:
Assinale a opção que completa corretamente a frase “Ela __________ não sabia se as declarações deviam ir ou não ir ___________ ao processo.”
a) mesma / anexas;
b) mesmo / anexo;
c) mesma / em anexas;
d) mesmo / anexas;
e) mesma / anexo.
Resposta do teste:
Letra (a). A palavra MESMO, quando significa “próprio”, é um pronome de reforço e deve concordar com a palavra a que se refere: “Ela mesma”. O adjetivo ANEXO deve concordar com o substantivo a que se refere: “as declarações…anexas”. Seria aceitável também a forma EM ANEXO, que é invariável.
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ARTIGOS - O uso dos artigos - Dicas de Português
O uso dos artigos.
Será que eles são necessários?
Uso dos ARTIGOS
Nas chamadas, a tendência do jornalismo é suprimir os artigos, sobretudo os definidos. Há situações, entretanto, em que os artigos definidos são obrigatórios:
1) Mudança de sentido: “Foi flagrado em prédio da Prefeitura” é diferente de “Foi flagrado no prédio da Prefeitura”. No primeiro caso, a Prefeitura tem pelo menos dois prédios; no segundo, apenas um;
2) Nomes de pessoas: Embora seja um caso facultativo, o melhor é evitar o uso do artigo: “A carreira de Edmundo está ameaçada” (e não “do Edmundo”); “A administração de Marta Suplicy…” (e não “da Marta”). A presença do artigo definido antes dos nomes de pessoas dá um caráter de intimidade;
3) Nomes de cidades: São poucos os que exigem artigo: o Rio de Janeiro, o Porto, o Cairo, o Havre. Quando o nome da cidade é caracterizado por alguma expressão, o artigo se torna obrigatório: “O apresentador passou a infância na pacata Dois Córregos“. Com Recife, o artigo é optativo: “Choveu muito em/no Recife“;
4) Nomes de estados brasileiro: Os que não admitem artigo são: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe. Com Alagoas e Minas Gerais, o artigo é optativo, mas o melhor é usar sem artigo. Os demais estados brasileiros exigem o artigo;
5) Nomes de países: Em geral, pedem artigo: o Peru, a Itália, o Brasil, a Argentina, o Chile, a Venezuela, o Uruguai, a Bolívia, o Paraguai, a Espanha, o Gabão, a Alemanha etc. Mas não são poucos os que rejeitam o artigo: Cuba, Marrocos, Israel, Angola, Moçambique, Andorra, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Portugal, São Marino etc.;
6) Possessivos: O artigo é optativo. Em textos jornalísticos, prefere-se sua omissão: “O governador afirmou que a questão está na mão de seus assessores”; “O treinador disse que seu esquema tático depende do adversário”. Atenção: no caso de frases comparativas, em que se subentende a segunda ocorrência do substantivo, o artigo é obrigatório antes do possessivo: “O esquema tático dos argentinos foi melhor do que o nosso“;
7) Enumerações de substantivos que exigem artigo: O artigo é obrigatoriamente repetido: “Neste semestre, o presidente visitará a Espanha, a Itália, o Peru e o Chile“; “O Flamengo precisa derrotar o Vasco, o Palmeiras e o Corinthians“;
8) Adjetivo no superlativo: O artigo é obrigatório: “A atriz será operada por Ivo Pitanguy, o cirurgião plástico brasileiro mais conhecido no exterior” (e não “Pitanguy, cirurgião plástico brasileiro mais conhecido no exterior”);
9) Com horário: O artigo é obrigatório: “As lojas do shopping ficam abertas das 9h às 22h” (e não “de 9h a 22h”). A ausência do artigo muda o sentido. No segundo caso, acaba-se informando o número de horas de funcionamento das lojas;
10) Uso exagerado do artigo indefinido: O artigo indefinido muitas vezes é usado inutilmente: “O prefeito afirmou que no mês que vem encaminhará à Câmara um outro projeto de lei”; “Para ficar no Corinthians, Vampeta exigiu um aumento salarial”. Basta dizer que o prefeito apresentará outro projeto de lei e que Vampeta exigiu aumento salarial. Uma boa maneira de evitar esse abuso é verificar como fica a frase sem o artigo indefinido. Se não fizer falta, deve ser eliminado.
Teste da semana:
Assinale a opção que completa corretamente a frase “Ainda _________ furiosa, mas com __________ violência, proferia injúrias __________ para escandalizar os mais arrojados.”
a) meia / menas / bastantes;
b) meia / menos / bastante;
c) meio / menos / bastante;
d) meio / menos / bastantes;
e) meio / menas / bastantes.
Resposta do teste:
Letra (d). A palavra MEIO, quando se refere a um adjetivo (=furiosa) e significa “mais ou menos, um tanto”, é advérbio de intensidade. Isso significa que é invariável: “Ela estava MEIO furiosa”. A forma “menas” não existe, por isso “MENOS violência”. E a palavra BASTANTE, quando significa “suficiente”, é adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se refere: “injúrias bastantes” = injúrias suficientes.
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