quinta-feira, 2 de maio de 2013

Cacófatos - CACOFONIA fere os ouvidos e o bom gosto - Clichês - Dicas de Português



Você se lembra dos cacófatos?

Você sabe o que são clichês?

CACOFONIA fere os ouvidos e o bom gosto.
Conheça alguns exemplos:

1. “Como ela, a coordenadora da campanha ‘Se Liga 16’,…”
2. “Tijuca ganha mais uma.”
3. “O atletismo é o esporte que havia dado mais medalhas para o Brasil.”
4. “Na vez passada, foi diferente.”
5. “Deu um beijo na boca dela.”
6. “Este detalhamento será executado por cada um dos setores.”
7. “Isso ocorreu por razões desconhecidas.”
8. “Hoje foi dia de ensaio geral.”
9. “Com o fim do pool das companhias de ônibus…”
10 “Flávio Conceição pediu a bola e Cafu deu.”

Problemas fonéticos diferentes (não são cacófatos) que também ferem os ouvidos:
11. “O consumidor denuncia e o Procon confirma.”
12. “Polícia desarma mais uma bomba…”
13. “Uma máquina vai testar a resistência dos móveis…”
14. “Restos da bomba foram levados para a perícia no Paraná.”
15. “A equipe apresenta-se muito bem preparada tanto fisicamente como tecnicamente.”
A solução é: “A equipe apresenta-se muito bem preparada física e tecnicamente.”

CLICHÊS são expressões batidas e repetitivas que empobrecem o estilo. Evite.
Exemplos:
1. O agente da lei teve que invadir a aeronave.
2. Ao apagar das luzes, o Palmeiras conseguiu dar a volta por cima e, finalmente, fez as pazes com a vitória.
3. O Chefe do Executivo respondeu em alto e bom som.
4. Via de regra, esse tipo de notícia estoura como uma bomba no congresso nacional.
5. É preciso aparar as arestas e chegar a um denominador comum.
6. Foi dar o último adeus ao amigo, e foi obrigado a dizer cobras e lagartos para o administrador do cemitério.
7. Sua explicação deixou a desejar.
8. Nada vai empanar o brilho da sua conquista.
9. Sua contratação veio preencher uma lacuna.
10. Vamos encerrar com chave de ouro.
11. O atacante estava completamente impedido.
12. O todo-poderoso Manchester United perdeu para um desconhecido clube da terceira divisão.
13. A festa não tem hora para acabar, mas amanhã o carioca volta à dura realidade.
14. São imagens impressionantes que nos deixam uma lição de vida.
15. Mas nem só de shows vive a cantora.
16. Muitos finalmente poderão realizar o sonho da casa própria.
17. Resta saber se o governo vai pôr a idéia em prática.
18. Bandidos fortemente armados invadiram o banco e transformaram o saguão numa verdadeira praça de guerra.
19. E o cidadão tupiniquim continua sua via crucis.
20. A fúria da natureza deixou um rastro de destruição.
21. As ruas viraram verdadeiros rios e o barco era o único meio de transporte.
22. O artista foi recepcionado por um batalhão de repórteres e cinegrafistas.
23. A ousadia dos traficantes não tem limites.
24. Para você ter uma idéia, eram 20 quilos de cocaína pura.
25. Cinco times ainda lutam para fugir do fantasma do rebaixamento.

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “Sei que entre ______ e ______ sempre _____________ certos desentendimentos, mas agora você se ____________ porque o diretor ameaçou despedir todos os funcionários que discutam aqui dentro.”

a) mim / você / houve / previna;
b) eu / você / houve / previna;
c) eu / ti / houve / precavenhas;
d) mim / ti / houve / precavenhas;
e) mim / si / houveram / precavenha.

Resposta do teste:
Letra (a). “Eu” é pronome pessoal do caso reto. Deve ser usado na função de sujeito. A presença da preposição “entre” e o fato de ser um complemento exige o uso de um pronome pessoal oblíquo tônico (=mim), por isso o correto é “entre mim e você”. O verbo HAVER, no sentido de “existir”, é impessoal: não tem sujeito e só deve ser usado no singular. O verbo PRECAVER-SE é defectivo. Nos tempos do presente só apresenta a 1ª pessoa e a 2ª pessoa do plural: nós nos precavemos e vós vos precaveis. Isso significa que as formas “precavenha” e “precavenhas” não existem. Devemos substituí-lo pelo verbo PREVENIR.

Próclise, mesóclise e ênclise - Pronomes átonos - Dicas de Português



Próclise, mesóclise e ênclise

 Trata-se da correta colocação dos pronomes átonos.

Vamos tirar algumas dúvidas a respeito desse assunto.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Introdução:
Os pronomes átonos ( = ME, TE, SE, O, A, LHE, NOS, VOS, OS, AS, LHES) podem ocupar três posições:

1. antes do verbo = PRÓCLISE;
2. depois do verbo = ÊNCLISE;
3. meio do verbo = MESÓCLISE.

Os pronomes átonos são “fracos” na pronúncia. Por serem átonos, unem-se ao verbo. Não há hífen na próclise, porque a “união” é maior na ênclise. Em razão disso, na sintaxe lusitana, a preferência é a ênclise. No Brasil, a preferência é a próclise.

1. NOS REUNIMOS ou REUNIMO-NOS ontem com o diretor?Segundo a sintaxe portuguesa, não devemos usar o pronome átono no início da frase, embora seja muito comum no Brasil: O certo é “REUNIMO-NOS ontem com o diretor”.

Vejamos outros exemplos:
“Dá-me um cigarro.”
“Encontramo-nos com os alemães.”
“Tratando-se de dinheiro, não há discussão.”

Se você considera a forma REUNIMO-NOS pedante ou artificial, sugiro que ponha o sujeito antes do verbo e use a próclise: “Nós NOS REUNIMOS…”

Em textos formais, é recomendável evitar frases típicas da linguagem coloquial brasileira: “ME considero candidato”, “SE sente deprimida”…

Podemos usar: “Considero-ME candidato” ou “Eu ME considero candidato”;
“Sente-SE deprimida” ou “Ela SE sente deprimida”.

2. Eu O ENCONTREI ou ENCONTREI-O na praia?
Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
É preferível a próclise sempre que o sujeito aparece antes do verbo:
“O diretor SE RETIROU mais cedo (ou retirou-se).”
“Ela LHE ENTREGOU os documentos (ou entregou-lhe).”
“O proprietário ME OFERECEU um cargo em sua
empresa (ou ofereceu-me).”

3. Eu não LHE DISSE ou DISSE-LHE a verdade?
O certo é: “Eu não LHE DISSE a verdade.”
Quando há uma palavra de sentido negativo ( = não) antes do verbo, devemos usar a próclise.
A próclise ( = pronome átono antes do verbo) é recomendável nos seguintes casos:
a) com palavra negativa: não, nunca, jamais, nada, ninguém:
“Nada ME preocupa mais do que isso.”
“Ninguém NOS perturba tanto quanto os governantes.”
b) com alguns conectivos: que, se, quando, embora, porque:
“Ele lhe disse que OS dispensaria logo.”
“Quando SE trata de política, devemos ter cautela.”
“Caso TE ofendam, tem paciência.”
c) com alguns advérbios (sem pausa): sempre, já, ainda, agora, talvez:
“Sempre NOS encontramos aqui.”
“Ele já LHE disse tudo.”
“Isto talvez ME seja útil.”
d) com pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos:
“Foi ele quem O avisou.”
“Aqui está o livro que TE emprestaram.”
“Isto NOS é desfavorável.”
“Todos A criticaram muito.”
“Alguém NOS viu quando chegamos.”
e) em frases interrogativas:
“Quem LHES enviou os documentos?”
“Quando NOS encontraremos novamente?”
“Como TE sentes?”
f) em frases exclamativas ou optativas:
“Como VOS respeitam!”
“Quanto TE odeiam!”
“Deus O abençoe!”
“Macacos ME mordam.”
g) com verbo no gerúndio antecedido da preposição EM:
“Em SE plantando, tudo dá.”
“Em SE fazendo dia, partirei.”
h) com formas verbais proparoxítonas:
“Nós O censurávamos.”
“Nós A encontráramos antes de ele chegar.”

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “Verifique se os programas estão ________ pois __________, no decreto, a exigência de formação e treinamento dos futuros chefes.”

a) certo / está implícito;
b) certo / estão implícitos;
c) certos / está implícita;
d) certo / está implícita;
e) certos / está implícito.

Resposta do teste:
Letra (c). O que está CERTO são os programas e o que está IMPLÍCITO é a exigência. Portanto, o correto é “os programas estão CERTOS” e “está IMPLÍCITA a exigência”.

Pronomes Átonos - Dicas de Português



1. ME TORNAREI ou TORNAREI-ME ou TORNAR-ME-EI o líder do grupo?Segundo a tradição, o certo é: “TORNAR-ME-EI o líder do grupo.”
“ME TORNAREI” deve ser evitado em textos formais ( = pronome átono no início da frase);
“TORNAREI-ME” é inaceitável ( = ênclise de verbo no FUTURO está sempre errada).
Quando o verbo está no FUTURO do Presente ou do Pretérito do Indicativo, podemos usar o pronome átono em MESÓCLISE:
“Encontrar-NOS-emos na próxima semana.”
“Realizar-SE-ia hoje a reunião.”

2. Eu ME TORNAREI ou TORNAR-ME-EI o líder do grupo?Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
A mesóclise ( = Eu TORNAR-ME-EI) está correta porque o verbo está no Futuro do Presente do Indicativo;
A próclise ( = Eu ME TORNAREI) é aceitável porque o sujeito ( = eu) aparece antes do verbo.
Vejamos outros exemplos:
“Nós ENCONTRAR-NOS-EMOS ou NOS ENCONTRAREMOS aqui.”
“A reunião REALIZAR-SE-IA ou SE REALIZARIA hoje.”

3. Eu não TORNAR-ME-EI ou ME TORNAREI o líder do grupo? O certo é: “Eu não ME TORNAREI o líder do grupo.”
A palavra negativa ( = não) é a causadora da próclise, mesmo com o verbo no FUTURO. Entre a próclise e a mesóclise, devemos usar a próclise.

4. O fato VAI-SE REPETIR ou VAI SE REPETIR?
Tanto faz. As duas formas são aceitáveis.
Segundo a sintaxe portuguesa, um pronome átono não poderia ficar solto ( = sem hífen) entre dois verbos. O certo seria: “O fato VAI-SE REPETIR.”
Entretanto, no Brasil, o uso consagrou e é perfeitamente aceitável pôr o pronome átono “solto” entre dois verbos: “O fato VAI SE REPETIR” ( = próclise do verbo principal).

5. A secretária não LHE DEVE ENTREGAR ou DEVE LHE ENTREGAR ou DEVE ENTREGAR-LHE os documentos?
Tanto faz. As três formas são aceitáveis.
A próclise ( = não LHE DEVE ENTREGAR) está correta, devido à palavra negativa ( = não);
A ênclise de verbo no INFINITIVO ( = não DEVE ENTREGAR-LHE) está sempre correta.
Observe outro exemplo:
“Não posso RECEBÊ-LO.”

6. TINHA-NOS ENTREGADO ou TINHA NOS ENTREGADO ou TINHA ENTREGADO-NOS a carta?
As formas corretas são: “TINHA-NOS ENTREGADO a carta” e “TINHA NOS ENTREGADO”.
A ênclise de verbo no PARTICÍPIO ( = ENTREGADO-NOS) está sempre errada.

RESUMINDO:
1. Em textos formais, evite começar frase por pronome átono;
2. Prefira, sempre que possível, a próclise;
3. Após o infinitivo, a ênclise está sempre correta;
4. A mesóclise só é possível quando o verbo está no futuro do indicativo;
5. A ênclise de verbo no futuro ou no particípio está sempre errada;
6. Em locuções verbais, prefira a próclise do verbo principal (= solto entre os verbos).

Teste da semana:

Assinale a opção que completa corretamente a frase “________ meio-dia e _______; no céu _____________ as trovoadas de verão.”
a) era / meia / anunciava-se;
b) eram / meio / anunciavam-se;
c) era / meio / anunciava-se;
d) era / meia / anunciavam-se;
e) eram / meia / anunciavam-se.

Resposta do teste:
Letra (d). O verbo SER fica no singular para concordar com “meio-dia”, que é singular. “Era meio-dia e meia”, porque é “MEIA hora”. A palavra MEIO, quando significa “metade”, é numeral fracionário e deve concordar: “meio litro”, “meia garrafa”, “meio limão”, “meia laranja”. No caso da terceira lacuna, temos a partícula apassivadora “se”. O sujeito do verbo ANUNCIAR é “as trovoadas de verão”, que está no plural. Portanto, o correto é “anunciavam-se as trovoadas de verão”, ou seja, “as trovoadas de verão ERAM ANUNCIADAS”.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Quando há mais de uma resposta correta no uso da crase - Crase - Uso da crase - Dicas de Português, Língua Portuguesa, Matéria Português, Português



Veja quando há mais de uma resposta correta no uso da crase

1. Vou à ou a minha casa?

Tanto faz. É um caso facultativo. Pode haver crase ou não. A diferença é a presença do pronome possessivo minha antes da casa. Antes de pronomes possessivos é facultativo o uso do artigo; sendo assim, facultativo também será o uso do acento da crase: “Vou a ou à minha casa.”; “Fez referência a ou à tua empresa.”; “Estamos a ou à sua disposição.”

O uso do acento da crase só é facultativo antes de pronomes possessivos femininos no singular (=minha, tua, sua, nossa, vossa).

Se for masculino, não há crase: “Ele veio a ou ao meu apartamento”; “Estamos a ou ao seu dispor.”

Se estiver no plural,

a)  haverá crase (preposição a + artigo plural as): “Fez referência às minhas ideias.”; “Fez alusão às suas poesias.”

b) não haverá crase (preposição a, sem artigo definido): “Fez referências a minhas ideias.”; “Fez alusão a suas ideias.”

2.    Ele se referiu à ou a Cláudia?

Tanto faz. É outro caso facultativo.

Antes de nomes de pessoas, o uso do artigo definido é facultativo. Portanto, em se tratando de nome de mulher, pode ou não ocorrer a crase.

Quando se trata de pessoas que façam parte do nosso círculo de amizades, com as quais temos uma certa intimidade, usamos artigo definido. Isso significa que devemos usar o acento da crase: “Refiro-me à Cláudia.” (=pessoa amiga)

Quando se trata de pessoas com as quais não temos nenhuma intimidade, não há o acento da crase porque não usamos artigo definido antes de nomes de pessoas desconhecidas ou não amigas: “Refiro-me a Cláudia.” (=pessoa desconhecida ou não amiga)

Antes de nomes próprios de pessoas célebres não se usa artigo definido. Isso significa que não haverá acento da crase: “Ele fez referência a Joana d’Arc.”; “Fizeram alusão a Cleópatra.”


VOCÊ SABE…

…qual é a origem das palavras anfiteatro e apogeu? E de onde vem a expressão “entrar com o pé direito”?

1. Anfiteatro é uma palavra de origem grega. Juntamos o teatro, que já conhecemos, com “anfi”, que quer dizer “dois”.

É interessante lembrarmos os anfíbios, que são aqueles animais de “duas vidas” (anfi+bio), porque vivem na terra e na água.

O teatro tradicional é aquele em que temos o palco para apresentações e à sua frente fica a plateia. Ao juntarmos dois teatros, temos um anfiteatro. Portanto, um anfiteatro é um teatro onde o público fica dos dois lados. O anfiteatro pode ser oval ou circular, com palco ou estrado e arquibancadas, para representações teatrais, aulas, palestras ou demonstrações. O Coliseu de Roma é um dos melhores exemplos de anfiteatro, daí o seu nome “colosso de Roma”.

Hoje em dia, as praças de touros e os estádios de futebol poderiam ser chamados de anfiteatros.

2. Apogeu, no sentido figurado, quer dizer o mais alto grau. Uma pessoa pode atingir o apogeu da sua carreira; um império, o apogeu do seu domínio. O sentido figurado está bem próximo do original.

Apogeu vem do grego e significa o ponto mais distante de um astro em relação à Terra. É a junção de “apo” (=afastamento, distante) com “geo” (=Terra). Daí a geografia, que descreve a Terra; e a geologia, que estuda a terra, o solo. Apogeu significa, portanto, “distante da Terra”. É o ponto da órbita de um astro em que ele atinge o afastamento máximo em relação ao nosso planeta.

3. Metaforicamente, um astro do futebol e uma estrela do cinema atingem o apogeu quando chegam ao ponto mais alto de suas carreiras.

Mesmo quem se considera livre de qualquer superstição às vezes se sente tentado a dar uma “ajudinha” ao destino. Afinal, o que custa, por exemplo, entrar com o pé direito numa sala onde uma decisão importante está para ser tomada?

Se você sofre esse tipo de sensação, está em boa companhia. O costume de entrar com o pé direito num lugar para evitar o mau agouro vem dos imperadores romanos, que exigiam que seus convidados usassem esse pé para entrar em seus salões.

A superstição “pegou” de tal forma que Santos Dumont, que era um gênio e portanto com direito a mais excentricidades do que qualquer mortal, chegou a construir em sua casa em Petrópolis uma escada onde só é possível subir ou descer com o pé direito, isto é, começando com o pé direito.



Dúvida dos leitores

“Qual é a forma correta: Não se deve ou devem cruzar os braços à espera de soluções?”

Existem autores que defendem as duas formas. Afirmam que o verbo no singular caracteriza uma indeterminação do sujeito.

Num concurso público ou numa prova de exame vestibular, entretanto, devemos seguir a gramática tradicional, que considera a partícula “se” apassivadora. Nesse caso, a frase está na voz passiva sintética e “os braços” é o sujeito. Assim sendo, o verbo deve concordar no plural: “Não se devem cruzar os braços…”, ou seja, “os braços não devem ser cruzados…”

O DESAFIO:

Qual é o significado de hidrofilia?

a)    raiva, tipo de doença contagiosa;

b)    absorvente, amigo da água;

c)    tratamento pela água do mar.



Resposta: letra (b). Hidro (água)+filia (amigo) = o algodão é hidrófilo porque absorve a água, é “amigo da água”.

Origem da expressão ‘de mão beijada’ - CRASE - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Entenda a origem da expressão ‘de mão beijada’ e de outras palavras

VOCÊ SABE…

…qual é a origem das palavras candidato e senador? E de onde vem a expressão “de mão beijada”?

Candidato vem de cândido. Candidatus, em latim, significa “puro, vestido de branco”. Na Roma antiga, os postulantes a cargos no governo usavam branco, para transmitir a ideia de pureza e honradez, que normalmente associamos à cor branca. Da mesma forma, a palavra cândida indica limpeza, pureza, tecido alvo.

Hoje, nas democracias, marcadas por escolhas periódicas de representantes do povo, os candidatos se vestem de muitas outras cores, inclusive ligadas aos partidos que representam, mas a palavra candidato permaneceu. O que não deixa de ter certa ironia, pois muitos candidatos sacrificam a ideia de pureza e honradez, em nome de pragmatismos pouco louváveis.

No entanto, na hora de escolher em quem votar, seria bom ter em mente a origem da palavra, e verificar se o nosso candidato faz jus a esse nome. E cobrar dos eleitos a coerência com as promessas feitas durante a candidatura, quando a maioria se comporta como se realmente vestisse uma túnica imaculada, da pureza e da candura.

 Senador e senado vêm do latim sen, senex, que quer dizer “velho, idoso”. Portanto, senado é uma assembleia ou conselho de anciãos.

Essa tradição vem de muito longe, quando o poder nas tribos primitivas era exercido pelos mais velhos e mais sábios.

É interessante observarmos outras palavras da língua portuguesa que tem sua  origem em sen, senex: senil, senilidade, sênior, senhor.

Receber alguma coisa “de mão beijada” quer dizer receber gratuitamente, sem encargos e retribuições, de entrega espontânea.

A expressão surgiu no século XV, quando os súditos agradeciam uma doação do Rei beijando-lhe a mão. Na igreja, fiéis que faziam doações  eram recompensados pelo privilégio de poder beijar a mão do papa. Nessas cerimônias, chamadas muito apropriadamente de “beija-mão”, os fiéis mais ricos ofertavam terras, prédios ou outros presentes valiosos. A expressão foi documentada em 1555. O papa Paulo IV dividiu as oferendas a Deus em dois tipos: ao pé do altar ou de mão beijada. De lá para cá, a expressão se tornou popular para simbolizar favorecimentos. Normalmente, ofertas de mão beijada são recebidas com desconfiança, lembrando outra frase popular: quando a esmola é muita, o santo desconfia.



CRASE – Parte 5

1.    Ele escreve a ou à Jorge Amado?

Depende. Se ele está escrevendo “para Jorge Amado”, não há o acento da crase: “Ele escreve a Jorge Amado.” (=para Jorge Amado)

Se ele escreve “à moda ”, “ao estilo” de Jorge Amado, o uso do acento grave é obrigatório: “Ele escreve à Jorge Amado.” (=ao estilo de Jorge Amado)

Usaremos o acento grave sempre que houver uma destas locuções subentendidas: “à moda de”, “à maneira de” ou “ao estilo de”: “Sapato à Luís XV.”; “Poesia à Manuel Bandeira.”; “Revolução à 1930.”; “Vestir-se à 1800.”; “Filé à francesa.”; “Bife à milanesa.”

Em “Moramos em São Paulo de 1958 a 1960”, não há crase porque não há artigo definido antes de 1960. Em “Elas se vestem à 1960”, há acento grave porque subentendemos “à moda de 1960”.

Se os nossos cardápios fossem bem escritos, em português é claro, teríamos um “festival de crase”: “Viradinho à paulista.” (=à moda de São Paulo); “Tutu à mineira.” (=à moda de Minas); “Camarão à baiana.” (=à moda da Bahia); “Churrasco à gaúcha.” (=à moda gaúcha).

Observe que neste caso o acento grave deve ser usado mesmo antes de palavras masculinas: “Churrasco à Osvaldo Aranha.” (=à moda de Osvaldo Aranha)



DÚVIDAS DOS LEITORES

Leitores perguntam: “Gostaríamos de saber se a palavra pizza já foi aportuguesa para “píteça” e, ainda, como se escreve a palavra cara pintada (com ou sem hífen). E qual é o plural dessa palavra?”

Usamos a palavra pizza na sua forma original. Não conheço registro da forma aportuguesada (“píteça”).

Quanto à palavra cara-pintada, escrevemos com hífen e seu plural segue a regra das palavras compostas por substantivo+adjetivo, ou seja, os dois elementos formadores vão para o plural: caras-pintadas.



DESAFIOS

1º) Qual é o significado de diáfano?

a) translúcido, transparente;

b) um feriado religioso;

c) uma figura de estilo.



2º) Qual é o significado de aerofagia?

a)    quando um animal come insetos voadores;

b)    falta de ar;

c)    o ato de engolir ar excessivamente.



Respostas:

1º) Letra (a). Dia (trans = através) + fano (luz). Um véu diáfano é transparente, ou seja, a luz atravessa.

2º) Letra (c). Aero (ar) + fagia (comer, engolir). A aerofagia, por exemplo, provoca o soluço.

Crase - Uso da Crase quando há (ou não) crase - Gramática - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Vendeu ‘a vista’ ou ‘à vista’? Veja se a crase está correta nesse caso

Vendeu a ou à vista?

Se alguém “vendeu a vista”, deve ter vendido “o olho” (a vista = objeto direto). O desespero era tanto, que um vendeu o carro, o outro vendeu o rim e esse vendeu a vista.

Se não era nada disso que você queria dizer, então a resposta é outra: “vendeu à vista”, e não a prazo (à vista = adjunto adverbial de modo).

Observe que nesse caso não se aplica o “macete” da substituição do feminino pelo masculino (à vista > a prazo).

Por causa disso, há muita polêmica e algumas divergências entre escritores, jornalistas, gramáticos e professores.

Acentuamos o “a” que inicia locuções (adverbiais, prepositivas, conjuntivas) com palavra FEMININA: à beça; à beira de; à cata de; à custa de; à deriva; à direita; à distância; à espreita; à esquerda; à exceção de; à feição de; à força; à francesa; à frente (de); à luz (“dar à luz um filho”); à mão; à maneira de; à medida que; à mercê de; à míngua; à minuta; à moda (de); à noite; à paisana; à parte; à pressa; à primeira vista; à procura de; à proporção que; à queima-roupa; à revelia; à risca; à semelhança de; à tarde; à toa; à toda; à última hora; à uma (=conjuntamente); à unha; à vista; à vontade; às avessas; às cegas; às claras; às escondidas; às moscas; às ocultas; às ordens; às vezes (=algumas vezes, de vez em quando)…

As locuções adverbiais indicam lugar, tempo, modo…

“Entrou à direita.”

“Está à distância de um metro.” (=adjuntos adverbiais de lugar);

“Só voltará à tarde.”

“À última hora, desistiu.” (=adjuntos adverbiais de tempo);

“Saiu andando à toa.”

“Falou tudo às claras.” (=adjuntos adverbiais de modo).

Nas locuções prepositivas, só haverá o acento grave com palavras femininas: à custa de, à procura de, à mercê de, à moda de…

Não há acento grave em locuções com palavras masculinas:

“Falávamos a respeito do jogo de ontem.”

As duas locuções conjuntivas (=ligam orações) dão ideia de “proporção”:

“A sala fica cheia à proporção que os convidados vão chegando.”

“À medida que o tempo passa, ele fica mais irresponsável.”



VOCÊ SABE…



…qual é a origem da gravata? E de onde vem a expressão “conto do vigário”?

Os reis da França, principalmente os Luíses, entraram para a História com a fama, entre outras coisas, de vaidosos. Foi um Luís da França, mais precisamente Luís XIV, quem lançou a moda da gravata. Em 1660, um grupo de guerreiros do Royal Cravate, da Croácia, foi apresentado ao rei. Eles usaram para a ocasião uma tira de tecido amarrada no pescoço. Luís XIV gostou da novidade e adotou. Como tudo que o rei fazia era imitado pelos súditos, todos passaram a usar a tira de pano dos “cravates”, ou croácios, de onde surgiu o nome “gravata”.

Quando alguém é vítima de uma malandragem, de um engodo, diz que lhe passaram um conto do vigário.

A expressão é bem brasileira. Dizem que é mineira de Ouro Preto.

Segundo a primeira versão, tudo começou quando os espanhóis doaram uma imagem de Nosso Senhor dos Passos para a cidade. Dois padres, um da igreja de Nossa Senhora do Pilar, outro da de Nossa Senhora da Conceição, queriam a imagem em suas respectivas igrejas. Como não havia como julgar o merecimento, o padre do Pilar sugeriu uma maneira de resolver o conflito: colocar a imagem em cima de um burro, no meio do caminho entre as duas igrejas. A Nossa Senhora ficaria na igreja para onde o burro se dirigisse.

A sugestão foi aceita, e o burro levou a imagem para a igreja do Pilar. Se você está lembrado, essa era a igreja do padre que fez a sugestão. Mais tarde, descobriu-se que o tal padre também era dono do burro. Quer dizer que ele passou um conto do vigário no concorrente.

Essa versão pode ser a mais curiosa, mas provavelmente não é verdadeira.

Existiria outra lenda a respeito da imagem. Consta que ela foi trazida da Corte do Rio de Janeiro a Vila Rica em lombo de burro. Quando a caravana passou ao lado da igreja-matriz de Nossa Senhora do Pilar (inaugurada em 1733), o burro “empacou” e não houve jeito de fazer o animal prosseguir. Impressionados com a teimosia do bicho, os doadores concluíram que a bela imagem deveria ficar na matriz do Pilar, o que realmente aconteceu.

Há uma outra versão que me foi enviada por um leitor: “Conta-se que, com a chegada da família imperial portuguesa ao Brasil, diversos nobres a acompanharam. Ficou famosa a história de um nobre que se dizia herdeiro de um rico vigário português que havia falecido em Portugal. Apesar de sua condição de rico herdeiro, toda sua fortuna estaria ainda em Portugal. Enquanto aguardava sua chegada, frequentava festas, morava e comia de graça, tudo por conta da chegada da herança. Meses se passaram e as desculpas se sucediam, até o seu desaparecimento, deixando inúmeras dívidas e empréstimos não pagos. Todos os que acreditaram em sua história, caíram no “conto do vigário” e aquele que aplica golpes similares passou a ser chamado de vigarista.”

Vejamos o que observa um outro leitor: “Desde muito cedo, tive a curiosidade aguçada, perguntando-me o que teria a expressão conto do vigário a ver com o vigário ou o padre, propriamente. A pesquisa me levou a vicariu, do latim, que em português deu vicário e vigário. A primeira significa “o que faz as vezes de outrem ou de outra coisa”. A segunda, para o mestre Aurélio, é “o padre que faz as vezes do prelado”. Continua, portanto, presente a ideia de substituição. Consigna ainda o Prof. Aurélio por inteiro a expressão conto do vigário, no qual o termo vigário entra com todo o seu conteúdo de substituição.”

Espero que não seja eu quem tenha caído no conto do vigário. Será que existem mais versões ainda? É lógico que seria importante conhecer a verdadeira origem do conto do vigário, mas confesso que, quando o assunto é etimologia, não sei se o mais delicioso é encontrar a verdade ou ouvir tão curiosas versões.

Uso correto de cada uma das formas dos ‘porquês’ - PORQUE, POR QUE, PORQUÊ ou POR QUÊ? - MAL ou MAU? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa


Entenda o uso correto de cada uma das formas dos ‘porquês’

O que mudou quanto ao uso dos PORQUÊS.
Alguns esqueminhas que visam tirar dúvidas ortográficas:



Caso 1 – PORQUE, POR QUE, PORQUÊ ou POR QUÊ?



1)    PORQUE é conjunção causal ou explicativa:

“Ele viajou, porque foi chamado para assinar contrato.”

“Ele não foi, porque estava doente.”

“Abra a janela porque o calor está insuportável.”

“Ele deve estar em casa porque a luz está acesa.”



2)    PORQUÊ é a forma substantivada (=antecedida de determinativo: artigos “o”, “um” ou pronomes “este”, “aquele”…):

“Quero saber o porquê da sua decisão.”

“A professora quer um porquê para tudo isso.”

“Ninguém entendeu aquele porquê.”



3)    POR QUÊ = antes de pausa, no fim de frase:

“Parou por quê?”

“Ele não viajou por quê?”

“Se ele mentiu, eu queria saber por quê.”

“Eu não sei por quê, mas a verdade é que eles se separaram.”

“Quero saber por quê, onde e quando?”



4)    POR QUE

a)    em frases interrogativas diretas ou indiretas:

“Por que você não foi?” (=pergunta direta)

“Gostaria de saber por que você não foi.” (=pergunta indireta)

b)    quando for substituível por POR QUAL, PELO QUAL, PELA QUAL, PELOS QUAIS, PELAS QUAIS:

“Só eu sei as esquinas por que passei.” (=pelas quais)

“É um drama por que muitos estão passando.” (=pelo qual)

“Desconheço as razões por que ela não veio.” (=pelas quais)

c)    quando houver a palavra MOTIVO antes, depois ou subentendida:

“Desconheço os motivos por que a viagem foi adiada.” (=pelos quais)

“Não sei por que motivo ele não veio.” (=por qual)

“Não sei por que ele não veio.” (=por que motivo – por qual motivo).



Caso 2 – MAL ou MAU?



1)    MAU é um adjetivo e se opõe a BOM:

“Ele é um mau profissional.” (x bom profissional);

“Ele está de mau humor.” (x bom humor);

“Ele é um mau caráter.” (x bom caráter);

“Tem medo do lobo mau.” (x lobo bom);



2)    MAL pode ser:

a)    advérbio (=opõe-se a BEM):

“Ele está trabalhando mal.” (x trabalhando bem);

“Ele foi mal treinado.” (x bem treinado);

“Ele está sempre mal-humorado.” (x bem-humorado);

“A criança se comportou muito mal.” (x se comportou muito bem);

b)    conjunção (=logo que, assim que, quando):

“Mal você chegou, todos se levantaram.” (=Assim que você chegou);

“Mal saiu de casa, foi assaltado.” (=Logo que saiu de casa);

c)    substantivo (=doença, defeito, problema):

“Ele está com um mal incurável.” (=doença);

“O seu mal é não ouvir os mais velhos.” (=defeito).



1. S ou SS ou Ç? Terminações: -SÃO ou -SSÃO ou -ÇÃO?

1.1. Substantivos derivados de verbos terminados em -GREDIR, -MITIR e -CEDER >> -SSÃO.

agredir >> agressão

progredir >> progressão

regredir >> regressão

admitir >> admissão

demitir >> demissão

omitir >> omissão

ceder >> cessão

conceder >> concessão

suceder >> sucessão



1.2. Substantivos derivados de verbos terminados em -ENDER, -VERTER e -PELIR >> -SÃO.

apreender >> apreensão

compreender >> compreensão

pretender >> pretensão

converter >> conversão

reverter >> reversão

subverter >> subversão

expelir >> expulsão

impelir >> impulsão

repelir >> repulsão



1.3. Substantivos derivados dos verbos TER e TORCER >> -ÇÃO.

ater >> atenção

reter >> retenção

deter >> detenção