terça-feira, 30 de abril de 2013

Plural - Saiba como fica o plural das siglas e tire outras dúvidas - Uso do hífen com o prefixo “sub-“? - Qual é o plural de “camisa rosa”? - Uso do hífen com o prefixo “mini-“? - O correto é PORTFOLIO ou PORTIFÓLIO ou PORTFÓLIO? - O correto é SÊNIOR ou SENIOR? - Bife à cavalo OU bife a cavalo? - Após às 10h OU após as 10h? Até às 10h OU até as 10h? - Vai-e-vem OU vai e vem OU vaivém OU vaivem OU vai vem? - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Saiba como fica o plural das siglas e tire outras dúvidas

1ª) Plural de abreviaturas e siglas?

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), abreviaturas oficiais não fazem plural: 10kg, 20km, 8h…

Se escrevermos por extenso, o plural é normal: quilogramas, quilômetros, metros, horas…

Siglas fazem plural com a desinência “s”, sem apóstrofo: PMs, CPIs, IPVAs, Ufirs, Detrans…



2ª) Uso do hífen com o prefixo “sub-“?

Segundo o novo acordo ortográfico, a única alteração é o fato de o uso do hífen ter-se tornado facultativo antes de palavras começadas por “h”: subumano ou sub-humano, subepático ou sub-hepático.

Nos demais casos, a regra é a mesma anterior ao novo acordo: só há hífen se a palavra seguinte começar por “b” ou “r”: sub-base, sub-bibliotecária; sub-raça, sub-reino, sub-reitor…

Isso significa que, diante de palavras começadas por qualquer letra diferente de “h”, “b” e “r”, devemos escrever sem hífen: subaquático, subemprego, subeditor, subitem, subchefe, subprefeitura, subsolo, subsecretário…



3ª) Qual é o plural de “camisa rosa”?

É “camisas ROSA”. Todo substantivo tomado como adjetivo torna-se invariável: camisas vinho, laranja; blusas abóbora, limão, violeta; sapatos gelo, areia; passeatas monstro…



4ª)  Uso do hífen com o prefixo “mini-“?

Segundo o novo acordo ortográfico, prefixos com duas sílabas ou mais, terminados por vogal (anti, contra, auto, infra, sobre, mini, micro, mega, tele…), só devem ser grafados com hífen se a palavra seguinte começar por “h” ou “vogal igual”: anti-herói, anti-inflacionário, contra-ataque, auto-hipnose, auto-observação, infra-hepático, infra-assinado, sobre-erguer, sobre-humano, micro-ondas…

Com as demais letras, devemos escrever “tudo junto”: antivírus, antissemita, antirracista, contraindicado, autoatendimento, infraestrutura, ultrassom, sobrecoxa, sobretaxa, megaempresário, televendas, telessexo…

Com o elemento “mini-“, devemos aplicar a mesma regra: mini-hospital, mini-internato, minidicionário, minissaia, minirreforma…



5ª) O correto é PORTFOLIO ou PORTIFÓLIO ou PORTFÓLIO?

Em inglês, não há acento; em português, deveria ter acento.

Deveria ser “portifólio”, mas essa grafia não está registrada.

No mais novo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), publicado pela Academia Brasileira de Letras, a forma oficial é PORTFÓLIO. É assim que devemos escrever.



6ª) O correto é SÊNIOR ou SENIOR?

Em bom português, devemos escrever com acento circunflexo: SÊNIOR. O acento gráfico se justifica pela regras das paroxítonas terminadas em “r”: revólver, repórter, mártir, éter, hambúrguer, contêiner, júnior…

Sênior e júnior, no plural, perdem o acento gráfico devido à mudança de posição da sílaba tônica: seniores e juniores.

As demais palavras mantêm o acento gráfico porque se tornam proparoxítonas: repórteres, mártires, hambúrgueres, contêineres…



7ª) Bife à cavalo OU bife a cavalo?

Embora seja um caso polêmico, prefiro “bife à cavalo” (= à moda de), assim como “churrasco à Osvaldo Aranha”, “bacalhau à Gomes de Sá”…



8ª) Após às 10h OU após as 10h? Até às 10h OU até as 10h?

No primeiro caso não há discussão: não há crase após uma preposição, pois, assim, não há a preposição “a” necessária para que ocorra a crase: “Saiu após as 10h”, “Está aqui desde as 10h”, “A reunião foi transferida para as 10h”, “Teve de se explicar perante a justiça”…

No caso da preposição ATÉ, em Portugal, aceita-se o seu uso com a preposição A. Isso tornaria a crase facultativa. No Brasil, porém, isso não é usual; sugiro, portanto, que usemos “até as 10h” sem o acento indicativo da crase.



9ª) Vai-e-vem OU vai e vem OU vaivém OU vaivem OU vai vem?

Há duas formas registradas: vai e vem (sem hífen) e vaivém (junto e com acento agudo).

No caso da forma VAI E VEM, segundo o novo acordo ortográfico, palavras compostas com elemento de conexão só mantêm os hifens se forem palavras ligadas à zoologia ou à botânica: joão-de-barro, copo-de-leite. Nos demais casos, não há mais hífen: mão de obra, dona de casa, quartas de final, dia a dia, disse me disse, sobe e desce, vai e vem…

No caso da forma VAIVÉM, o acento gráfico se justifica pela regra das oxítonas terminadas em “em/ens”: porém, alguém, também, refém, reféns, armazém, armazéns, parabéns, vaivém, vaivéns…

Plural - Você sabe qual é o plural de ‘mulherzinha’? E de ‘balãozinho’? - Gramática - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Você sabe qual é o plural de ‘mulherzinha’? E de ‘balãozinho’?

1. “Mulherzinhas ou mulherezinhas?”

O plural das palavras cujo diminutivo é feito com o sufixo “zinho” deve obedecer à seguinte regra: 1o) pôr a palavra primitiva no plural (sem o “s”); 2o) acrescentar o sufixo “zinho” mais o “s”.

Observe o esquema: papelzinho – papei+zinho+s = papeizinhos; balãozinho – balõe+zinho+s = balõezinhos; animalzinho – animai+zinho+s = animaizinhos; florzinha – flore+zinha+s = florezinhas.

Assim sendo, segundo a regra, o plural de mulherzinha seria mulherezinhas (mulhere+zinha+s).

Devido ao uso consagrado, entretanto, é aceitável também a forma mulherzinhas. Isso vale para as palavras terminadas em R: florezinhas ou florzinhas, mulherezinhas ou mulherzinhas, barezinhos ou barzinhos, melhorezinhos ou melhorzinhos…



2. “Luzinhas ou luzezinhas?”

No caso das palavras luzinha e cruzinha, o sufixo para o diminutivo é “inho” (a letra “z” pertence à raiz da palavra). Não se aplica, portanto, a regra acima. Basta pôr a desinência “s”: luzinhas e cruzinhas.



3. “Ultrasonografia tem um ou dois esses?”

Segundo o novo acordo ortográfico, quando usamos prefixos dissílabos terminados em vogal (auto, contra, extra, anti, sobre, mini, tele, micro, ultra…), só usamos hífen se a palavra seguinte começa por “h” ou vogais iguais: auto-hipnose, auto-observação, contra-ataque, anti-inflamatório, sobre-erguer, mini-internato, mini-hospital, micro-ondas…

O correto, portanto, é sem hífen: ultrassonografia, com dois esses para manter o som de /s/. Um esse entre duas vogais tem som de /z/.



4. “A palavra meio só varia quando for um adjetivo?”

A palavra meio só varia quando significa “metade”. Em geral, é numeral: “Comeu meia banana”; “Só leu meia página”; “Bebeu uma garrafa e meia de cerveja”; “É meio-dia e meia”. Pode ser adjetivo também: “Disse meias verdades”.



5. “Qual é o plural da palavra modem?”

A palavra modem vem de MODulador/DEModulador. Deve seguir o plural das palavras terminadas em “em”: jovem – jovens; ordem – ordens; homem – homens; modem – modens.

6. “Tem de ou tem que ser feito algo?”

Tanto faz. Em textos mais formais, prefiro “tem de”; em textos mais coloquiais, prefiro “tem que”. As duas formas são aceitáveis.



7. “Comunicamo-lhe ou comunicamos-lhe?”

O uso do pronome “lhe” em ênclise não afeta a forma verbal. Assim sendo, não cortamos o “s”. O certo é “comunicamos-lhe”. Cortamos o “s” quando usamos o pronome “nos”: encontramo-nos, reunimo-nos.



8. “Isso é um problema entre eu e o Pedro OU entre o Pedro e eu?”

Nem uma coisa nem outra. O correto é dizer “entre mim e o Pedro” ou “entre o Pedro e mim”. Por não ser o sujeito da oração, devemos usar o pronome oblíquo tônico (mim) em vez do pronome reto (eu).



9. “Quando podemos utilizar o verbo haver no plural?”

O verbo haver deve ser usado somente no singular quando significa “existir, ocorrer, acontecer” ou quando se refere a “tempo decorrido”: “Haverá muitas pessoas na reunião”; “Houve alguns incidentes”; “Havia dez anos que não nos víamos”.

Em outras situações, o plural é correto: “Os auditores se houveram bem no seu trabalho”; “Os dirigentes houveram por bem adiar a reunião”.

10. “Tudo que fizerem ou tudo o que fizerem?”

Tanto faz. O uso do pronome “o” não é obrigatório. Sem o pronome “o”, o pronome relativo “que” substitui o pronome indefinido “tudo”. Com o pronome “o”, é como se disséssemos “tudo aquilo que fizerem”. Nesse caso, o pronome relativo substitui “tudo aquilo”.

Crítica do leitor

Deu nesta coluna: “É interessante observar a discordância no primeiro caso: para a ABL é choparia; para o Aurélio é choperia. Proponho um chope para discutirmos o assunto.”

Comentário do leitor: “Acho que o senhor incorreu em algo que detesta: reduzir fatos linguísticos a discussões simplistas do tipo certo ou errado. Se ambos os sufixos têm vida corrente na língua, com função e significados idênticos, resta comprovar se a aplicação, escolha ou preferência de um sufixo em relação ao outro, na composição de determinadas palavras, é arbitrária ou resulta de condicionamentos morfofonéticos ou semânticos. A eufonia é que deve, provavelmente, ditar a escolha/exclusão de um ou outro sufixo. Fora isso, nada obstaria, a nosso ver, que se registrassem as duas grafias: uma como variante da outra.”

Também acho. Nada contra choparia ou choperia. Importante mesmo é o chope. Propus o chope exatamente porque não vejo motivo para optar por um e considerar o outro um “erro”. Por que não aceitar as duas formas?

Crase - Usos da Crase com ou sem acento - Crase não é acento! Conheça os macetes para não errar - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Crase não é acento! Conheça os macetes para não errar

Você sabia que CRASE não é acento? Crase é a fusão de duas vogais iguais, é a contração de dois “aa”. Acento grave (`) é o sinal que indica a crase (a + a = à).

Para haver crase, é necessário que existam dois “aa”. O primeiro a é preposição; o segundo pode ser:



1)    artigo definido (a/as):

“Ele se referiu a (preposição) + a (artigo) carta.” = “Ele se referiu à carta.”

“Ele entregou o documento a (preposição) + as (artigo) professoras.” = “Ele entregou o documento às professoras.”



2)    pronome demonstrativo (a/as):

“Sua camisa é igual a (preposição) + a (pronome = a camisa) do meu pai.” = “Sua camisa é igual à do meu pai.”

“Ele fez referência a (preposição) + as (pronome = aquelas) que saíram.” = “Ele fez referência às que saíram.”



3)    vogal a inicial dos pronomes aquele, aqueles, aquela, aquelas e aquilo:

“Ele se referiu a (preposição) + aquele livro.” = “Ele se referiu àquele livro.”

“Ele fez alusão a (preposição) + aquelas obras.” = “Ele fez alusão àquelas obras.”

“Prefiro isso a (preposição) + aquilo.” = “Prefiro isso àquilo.”



Observação 1: Se o verbo for transitivo direto, não há preposição, por isso não ocorre crase:

“A secretária escreveu (TD) a carta (OD).” (a = artigo definido)

“Ele não encontrou (TD) as professoras (OD).” (as = artigo definido)

“A testemunha acusou (TD) a da direita.” (a = pronome = aquela da direita)

“Não reconheci (TD) as que saíram.” (as = pronome = aquelas que saíram)

“Nós já lemos (TD) aquele livro (OD).”

“Ainda não vi (TD) aquilo (OD).”



Observação 2: Para comprovarmos a crase, o melhor “macete” é substituir o substantivo feminino por um masculino. Comprovamos a crase se o “à” se transformar em “AO”:

“Ele se referiu à carta.” (=ao documento)

“Ele entregou o documento às professoras.” (=aos professores)

“Sua camisa é igual à do meu pai.” (=seu casaco é igual ao do meu pai)

“Ele fez referência às que saíram.” (=aos que saíram)

Observe a diferença:

“A secretária escreveu a carta.” (=o documento)

“Ele não encontrou as professoras.” (=os professores)

“A testemunha acusou a da direita.” (=o da direita)

“Não reconheci as que saíram.” (=os que saíram)

“Ele se referiu a esta carta.” (=a este documento)

“Tráfego proibido a motocicletas.” (=a caminhões)

Este “macete” não se aplica no caso dos pronomes aquele(s), aquela(s) e aquilo.



VOCÊ SABIA…



…que secretária, originalmente, é o nome de uma escrivaninha com muitas gavetas e escaninhos para guardar documentos e dinheiro. É provável que quem tomava conta desse móvel, lidando com seu conteúdo,  acabou  sendo conhecido como secretário ou secretária.

A profissão de secretário, no entanto, existe desde antes de Cristo. Era um misto de escriba e soldado, que lutava de dia e fazia o relatório da batalha à noite. Que se sabe, o primeiro homem a escolher uma mulher para a tarefa de registrar suas batalhas foi Napoleão Bonaparte.

A secretária executiva de empresas, como conhecemos hoje, surgiu em 1877, em Nova Iorque. No Brasil, a profissão se firmou na década de 50, quando chegaram aqui as primeiras multinacionais.

Assim sendo, uma secretária, na sua origem, era para guardar segredos…





Dúvida do leitor: “…não respeitará quem se OPOR ou OPUSER…”?

Nesse tipo de construção frasal, devemos usar o verbo no futuro do subjuntivo: “…respeitará quem fizer, quem quiser, quem vier, quem souber…

Portanto, “…não respeitará quem se opuser…”



O DESAFIO



Qual é significado de anemômetro?

O anemômetro mede…

(a)  a velocidade do vento;

(b)  a pressão atmosférica;

(c)  o nível de glóbulos brancos.



Resposta de O DESAFIO:

Letra (a) = Anemômetro é o instrumento que mede a velocidade ou a intensidade do vento e, em alguns casos, a sua direção.

Crase - Uso da Crase - Saiba quando se deve usar a crase diante de nomes de lugar - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Saiba quando se deve usar a crase diante de nomes de lugar

Vou a ou à Brasília?  Vou a ou à Bahia?

O certo é: “Vou a Brasília” e “Vou à Bahia”.

Por que só ocorre crase no segundo caso?

Quando vamos, sempre vamos a algum lugar. O verbo IR pede a preposição “a”. O problema é que o nome do lugar aonde vamos às vezes vem antecedido de artigo definido “a”, às vezes não.

Enquanto Brasília não admite artigo definido, a Bahia é antecedida do artigo definido “a”. Isso significa que você “VAI À BAHIA” (=preposição “a” do verbo IR + artigo definido “a” que antecede a Bahia) e que você “VAI A BRASÍLIA” (=sem crase, porque só há a preposição “a” do verbo IR).

Se você quer saber com mais rapidez se deve IR À ou A algum lugar (com ou sem o acento da crase), use o seguinte “macete”:

Antes de IR, VOLTE.

Se você volta “DA”, significa que há artigo: você vai “À”;

Se você volta “DE”, significa que não há artigo: você vai “A”.

Exemplos:

“Você volta DA Bahia”      >      “Você vai à Bahia.”

“Você volta DE Brasília”   >      “Você vai a Brasília.”

Vamos testar o “macete” em outros exemplos:

“Vou à China.” (=volto DA China)

“Vou a Israel.” (=volto DE Israel)

“Vou à Paraíba.” (=volto DA Paraíba)

“Vou a Goiás.” (=volto DE Goiás)

“Vou a Curitiba.” (=volto DE Curitiba)

“Vou à progressista Curitiba.” (=volto DA progressista Curitiba)

“Vou à Barra da Tijuca.” (=volto DA Barra da Tijuca)

“Vou a Botafogo.” (=volto DE Botafogo)

No Rio de Janeiro, a linha 1 do nosso metrô é bem interessante: só ocorre crase num caso:

“Vou à Tijuca.” (=volto DA Tijuca);

“Vou a Ipanema.” (=volto DE Ipanema).

É importante lembrar que este “macete” não se aplica a todos os casos de crase. Na verdade, ele resolve o problema das “viagens”: IR à ou a, DIRIGIR-SE à ou a, VIAJAR à ou a, CHEGAR à ou a …

Vamos testar o “macete”.

“Uma estrada liga a Suíça a Itália; outra liga a Espanha a Portugal.”

Em que “estrada” ocorre crase?

Você acertou se respondeu a primeira. Por quê?

Porque só há artigo definido antes da Itália. Observe o “macete”: “volto DA Itália” e “volto DE Portugal”. Portanto: “Uma estrada liga a Suíça à Itália; outra liga a Espanha a Portugal.”



Vou à ou a Roma? Vou à ou a antiga Roma?

O certo é: “Vou a Roma” e “Vou à antiga Roma”.

Podemos usar o “macete” do verbo VOLTAR:

“Volto DE Roma” e “Volto DA antiga Roma”.

Observe que não há artigo antes de Roma. O artigo aparece se houver um adjetivo ou termo equivalente:

“Vou a Paris.” (=volto DE Paris)

“Vou à Paris dos meus sonhos.” (=volto DA Paris dos meus sonhos)

“Vou a Porto Alegre.” (=volto DE Porto Alegre)

“Vou à bela Porto Alegre.” (=volto DA bela Porto Alegre)

“Vou a Londres.” (=volto DE Londres)

“Vou à Londres do Big Ben.” (=volto DA Londres do Big Ben)





VOCÊ SABIA…

…que o segredo era guardado a “quatro chaves”, e não “a sete chaves”?

Quem já não ouviu alguém dizer que tal objeto está trancado a sete chaves? Ou que o segredo ou sigilo será guardado a sete chaves?

Pois é, essa é uma expressão muito popular da nossa língua, seja para dizer que um objeto está guardado num local muito seguro, seja para dar ideia de que um segredo será guardado a qualquer custo. Mas como surgiu essa expressão?

Na realidade, a origem dessa expressão está em outro país e num número diferente de chaves.

Em Portugal, no século XII, existiam arcas de madeira muito sólida que possuíam quatro – e não sete – fechaduras. Nessas arcas eram guardados documentos, segredos, ouro, joias e outros objetos de valor relevante para o governo português. Cada uma das quatro chaves era entregue a ocupantes de cargos de confiança no governo e às vezes até o próprio rei portava uma das chaves. Assim, essas arcas só podiam ser abertas se os quatro portadores das chaves as utilizassem ao mesmo tempo.

Acredita-se que a expressão se refere a sete e não quatro chaves, devido à mística que envolve o número cabalístico sete, como em “hidra de sete cabeças”, “serpente de sete línguas” ou “botas de sete léguas”.



Crítica dos leitores



Lemos em alguns jornais: “Homossexuais e lésbicas…”

Nossos leitores têm razão. Há quem pense que “homo” de homossexuais venha de “homem”. “Homo” significa “igual”; portanto as lésbicas também são homossexuais. Não é uma questão de preconceito. É desconhecimento da origem da palavra e do seu real significado.



O DESAFIO

Quinquênio é um período de…

a)    cinco anos;

b)    quinze anos;

c)    cinquenta anos.



Resposta do DESAFIO: letra (a) = quinquênio é um período de cinco anos.

Acento na Crase - Uso do acento da CRASE - Novos exemplos sobre o uso correto da crase - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



Veja novos exemplos sobre o uso correto da crase

Uso do acento da CRASE – Parte 3

1.    Vou à ou a terra?

O certo é: “Vou a terra.” A palavra TERRA, no sentido de “terra firme, chão” (= oposto de bordo), não recebe artigo definido, logo não haverá crase.

Observe o macete: “volto DE terra”.

Ao viajar de avião, podemos observar a ausência do artigo definido antes da palavra TERRA (=terra firme). Quando o avião está aterrissando, uma das comissárias de bordo vai ao microfone e diz: “Para voos de conexão e mais informações, procure o nosso pessoal em terra.” Por que não na terra? Porque é em terra firme, e não no planeta Terra. Em outras palavras, o que ela quer dizer é o seguinte: “Não me chateie a bordo do avião, vá ao balcão da companhia no aeroporto.”

Qualquer outra TERRA, inclusive o planeta Terra, recebe o artigo definido. Portanto, haverá crase:

“Vou à terra dos meus avós.” (=volto DA terra dos meus avós)

“Cheguei à terra natal.” (=volto DA terra natal)

“Ele se referiu à Terra.” (=volto DA Terra / do planeta Terra)

Observe a diferença:

“Depois de tantos dias no mar, chegamos a terra.” (=terra firme)

“Depois de tantos dias no mar, chegamos à terra procurada.”



2.    Vou à ou a casa?

O certo é: “Vou a casa.” A sua própria casa não “merece” artigo definido.

Observe: Se “você vem DE casa” ou se “você ficou EM casa”, só pode ser a sua própria casa.

Qualquer outra casa vem antecedida de artigo definido. Isso significa que haverá crase:

“Vou à casa dos meus pais.” (=volto DA casa dos meus pais)

“Vou à casa de Angra.” (=volto DA casa de Angra)

“Vou à casa José Silva.” (=volto DA casa José Silva)

“Vou à casa do vizinho.” (=volto DA casa do vizinho)

“Vou à casa dela.” (=volto DA casa dela)

Não haverá crase somente quando a palavra CASA estiver sem nenhum adjunto:

“Ele ainda não retornou a casa desde aquele dia.”



VOCÊ SABE…



…de onde vêm as expressões “calcanhar de Aquiles” e “sem eira nem beira”? E qual é a origem da vitória-régia?

1. Por mais forte que seja, ninguém é invulnerável.  Todos têm o seu ponto fraco, seu calcanhar de Aquiles.  Mas quem seria esse Aquiles, e qual é o problema do seu calcanhar? A resposta está no poema épico “A Ilíada”.  Nele, o poeta grego Homero conta a história da guerra de Troia.

Aquiles foi um dos heróis da guerra. Quando ele nasceu, foi feita uma profecia de que iria morrer jovem, no campo de batalha. Para protegê-lo, a mãe mergulhou o bebê no Rio Estige, na fronteira com o inferno.  A água tinha o poder de, para dizer em linguagem moderna, fechar o corpo de Aquiles. Mas profecia é profecia, e Aquiles terminou morrendo mesmo, jovem e no campo de batalha, atingido por uma flecha envenenada. Onde? No calcanhar, o único ponto não tocado pela água, pois foi por onde a mãe o segurou ao mergulhá-lo no rio. O calcanhar de Aquiles era o seu ponto fraco, o seu ponto vulnerável.



2. Eira é um lugar ao ar livre onde se estendem as colheitas de trigo, milho ou centeio para secar, debulhar e limpar.

Quando alguém perde todas suas posses, diz que ficou “sem eira nem beira”. A expressão vem do tempo em que a maioria das propriedades era rural, e todos precisavam de uma eira para processar o que plantavam. Beira, por sua vez, é o que delimita uma casa ou um terreno, uma aba de telhado. Quem não tem nem eira nem beira, portanto, é o que não tem teto nem terra.



3. A vitória-régia é verdadeiramente uma rainha. Imponente pelo tamanho das folhas verdes e arroxeadas, que suportam até quarenta e cinco quilos de peso sem afundar, ela chama a atenção também por suas lindas flores perfumadas, brancas, vermelhas ou cor-de-rosa, que têm um sem-número de pétalas e chegam a medir quarenta centímetros de diâmetro.

Tudo isso fez da vitória-régia uma rainha entre as plantas flutuantes. E foi por causa dessa majestade que o botânico inglês John Lindley a batizou em homenagem à soberana Vitória da Inglaterra. Régia vem de regina, que em latim quer dizer rainha.



O que é ALITERAÇÃO?

Leitor quer saber se o exemplo abaixo caracteriza ou não um caso de aliteração: “A aposta é arriscada, pois não se pode prever se a renúncia do Estado em receber receitas presentes redundará num fomento econômico que, ao final, reabasteceria os cofres públicos.”

Para quem não está lembrado, aliteração é uma figura de estilo que consiste na repetição de um mesmo fonema: “Quem com ferro fere com ferro será ferido” (repetição do “f”).

Existem aliterações famosas na nossa literatura. Temos um belo exemplo em versos do poeta simbolista Cruz e Souza: “Vozes veladas, veludosas vozes, volúpias dos violões, vozes veladas vagam nos velhos vértices velozes dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.”

No texto jornalístico, em geral, a aliteração não faz sentido. Quanto ao exemplo que o nosso leitor nos apresenta, há realmente uma excessiva repetição do “r”: renúncia, receber, receitas, redundará, reabasteceria.

‘Eu reavejo ou reavenho?’ Veja a qual a forma correta - “Gauchês” - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa



‘Eu reavejo ou reavenho?’ Veja a qual a forma correta

Meus amigos do sul estão querendo testar o meu grau de “gauchês” ou, como disse um mais mordaz, até onde eu já “acarioquei” e perdi minhas raízes.
Outro dia, falei aqui a respeito do meu “neurônio remanescente” e afirmei que a velhice tem dois sintomas: tenho a certeza de que o primeiro é a falta de memória; do segundo ainda não consegui me lembrar.

Estou “levemente” desconfiado de que estão me chamando de velho, por isso resolveram testar a minha memória. Vamos ao teste.

“Professor, você se lembra de algum “amigo secreto”, em algum dia do seu passado comeu “bolo abatumado”, viu algum “beque abrir o açougue”, “levou algum trompaço no meio das aspas”, contou alguma “atochada”, ficou “atucanado”, comeu como um “bagual”, namorou alguma “bagaceira”, conheceu um “baita balaqueiro” e um “boi-corneta”, levou uma “bangornada” na cabeça ou, pelo menos, levou uma “biaba”,morou em uma “biboca”, falou muita “bobajada” e participou de um “bolo-vivo”?”

A maioria dos meus leitores deve ter “boiado” completamente. Os mais jovens não devem ter entendido “patavina”.

Para quem não entendeu coisa alguma e para provar quanto a minha memória é boa, e quanto as minhas raízes porto-alegrenses estão vivas, vamos à resposta do teste e às devidas explicações.
“Amigo secreto”, no sul, é aquela troca de presentes que, aqui no Rio, chamamos “amigo oculto”. Por sinal, segundo o espírito da brincadeira o nome “amigo secreto” me parece mais coerente. Um bolo “abatumado” é o mesmo que bolo “solado”, ou seja, a massa fica pesada por falta de fermento em quantidade adequada. Um “beque abre o açougue” quando um zagueiro do Grêmio começa a jogar violentamente, dando pontapés ou “entradas” desleais nos atacantes colorados. “Levar um trompaço nas aspas” é bater com a cabeça, mais precisamente com os chifres. “Atochada” é uma mentira e “atucanado” é preocupado, aborrecido, nervoso, talvez estressado. “Bagual” verdadeiramente é um cavalo arisco (não castrado) e é, ainda hoje, usado para designar uma coisa boa, muito especial. “Bagaceira” é uma coisa ou mulher desprezível, pobre, tida como baixa, vagabunda. Um “baita balaqueiro” é um grande mentiroso, é aquele que “canta muitas vantagens”, e “boi-corneta” é o sujeito do contra, o negativo, o pessimista. Levar uma “bangornada” na cabeça é levar uma batida forte, um golpe ou, como se diz popularmente hoje, uma “porrada”, que, por sua vez, vem de porretada, golpe de porrete. Levar umas “biabas” é levar uns tapas. Morar numa “biboca” é num lugar pequeno, numa vila ou cidadezinha distante, pobre e de difícil acesso. “Bobajada” são besteiras, bobagens.

E, por fim, o “bolo-vivo”, que merece uma descrição: dança ritual que se fazia nos aniversários de 15 anos das meninas. Eram 15 pares em círculo, com velas acesas. No meio, a aniversariante começava a dançar uma valsa com o pai. Depois, todos os casais também dançavam, à medida que a aniversariante apagava a vela de cada casal. Se você achou um pouco ridículo, não fale. Eu também sempre achei, mas alguns “bolos-vivos” foram até interessantes…

O verbo REAVER

1. Eu REAVEJO ou REAVENHO ?
Nenhum dos dois.
O verbo REAVER é defectivo: no presente do indicativo, só há nós REAVEMOS e vós REAVEIS; no presente do subjuntivo, nada; no pretérito e no futuro, segue o verbo HAVER.
A solução é “eu estou reavendo” ou substituir por um sinônimo: “eu recupero”.

2. Eles REAVERAM ou REAVIRAM ?
É a “famosa” dúvida do nada com coisa alguma. Nenhum dos dois.
O certo é REOUVERAM, porque REAVER é derivado do verbo HAVER: ele houve – ele REOUVE; nós houvemos – nós REOUVEMOS; eles houveram – eles REOUVERAM; se eu houvesse – se eu REOUVESSE; quando ele houver – quando ele REOUVER.

Crase?
Leitor quer saber qual é a forma correta: “O horário da reunião é de 8 às ou as 17 horas”.
Nem uma coisa nem outra.
Escreva: “O horário da reunião é das 8h às 17h”.

Abreviaturas?
Dúvida de uma leitora: “Verifiquei que o senhor escreve 21h30. Qual é o correto: 21h30min ou 21h30?”
Oficialmente é 21h30min, mas no jornalismo, por uma questão de espaço, prefiro 21h30.
Coisas da vida.


DESAFIO
Qual é a forma correta?
1)    O ____________ (chipanzé ou chimpanzé) fugiu do circo.
2)    Os _____________ (extratos ou estratos) sociais do Brasil são menos injustos do que os da Índia.
3)    O governo agiu com ______________ (descortino ou descortínio) na solução da questão.

Respostas:
1. Tanto faz. O Vocabulário Ortográfico da ABL e o novo dicionário Aurélio registram as duas formas: chimpanzé e chipanzé (como forma variante).
2.  ESTRATO. “Estratos sociais” são “camadas sociais”.
3. DESCORTINO. “Descortino” vem de “descortinar”, que significa “tirar a cortina”, “avistar, descobrir, antever”.

Fonte: G1 Dicas de Português

‘Gauchês’ - Teste os seus conhecimentos sobre palavras em ‘gauchês’ - Matéria Português - Dicas de Português - Língua Portuguesa


Teste os seus conhecimentos sobre palavras em ‘gauchês’

Alguns exemplos das nossas particularidades linguísticas.

Consegue traduzir a frase a seguir: “Uma china que era um verdadeiro canhão subia a lomba. Na porta do boteco, um gambá que bebia mais uma ceva solta uma gaitada. E a guria logo perguntou: qual é o teu pastel?”

Vamos às respostas: china (mulher), canhão (mulher muito feia), lomba (ladeira), gambá (bêbado), ceva (cerveja), gaitada (gargalhada), guria (menina), qual é o teu pastel? (que você pretende?, qual é a sua intenção?).

E agora observe as deliciosas definições que o nosso professor Fischer dá para alguns termos tipicamente gaúchos:

“TRI – Advérbio de uso universal em porto-alegrês. Em geral, quer dizer “muito”: um sorvete pode ser “tribom”; uma mulher pode ser “trigostosa”; uma comida pode ser “trirruim”…”

Daí o famoso “trilegal”.

“COREIA – Não sei por que cargas d’água assim se chamava o espaço existente no glorioso Estádio José Pinheiro Borba, popularmente conhecido como Gigante da Beira-Rio, destinado aos torcedores com menos dinheiro, que por isso mesmo ficam de pé o tempo todo. No Rio, no Maracanã, chamava-se a isso de “geral”.”

“COLORADO – Sujeito de alto discernimento espiritual, que prefere torcer por um time de elevados méritos, o Sport Club Internacional, mesmo quando perde. Diferente do gremista, que é um sujeito melancólico, raivoso, de baixa espiritualidade. Vem direto do espanhol, em que tem sentido de “da cor vermelha”, que aliás é linda, sem nenhum preconceito.”

“DEU PRA TI – Expressão das mais interessantes e das menos compreendidas fora daqui. Se alguém diz para outro “deu pra ti”, está dizendo que chegou, que o cara pode cair fora, pode tirar o cavalo da chuva, já foi suficiente…”

 

DÚVIDAS DOS LEITORES

Leitora quer saber se a frase a seguir está correta: “Sendo que a anuidade e a manutenção do mesmo encontra-se quitado até junho de 2011.”

Temos três observações a fazer:

1. Há um erro de concordância: “…a anuidade e a manutenção encontram-se quitadas…”

2. Em vez de “encontram-se”, melhor seria dizer “estão quitadas”. Em cartas comerciais o verbo “encontrar-se” é usado excessivamente. Virou moda e ficou muito chato.

3. Sugiro também que se evite o uso da palavra “mesmo” como pronome substantivo (=substituindo algum termo anterior). Além de ser um modismo típico de cartas comerciais, caracteriza pobreza vocabular e, em geral, obriga o leitor a reler o texto. É preferível usar sinônimos ou pronomes pessoais.

 

NORMATIZAR ou NORMALIZAR?

Leitor me critica: “Você reproduziu em sua coluna uma observação na qual se lia ‘…unidades são normatizadas…’ Normatizar? Como você deixou passar em branco uma aberração como essa?”

Meu caro leitor, veja o que diz a novíssima edição do dicionário Aurélio: “NORMATIZAR – Estabelecer normas para; submeter a norma(s).”

Isso significa que o neologismo já está devidamente registrado.

Sei perfeitamente que muitas empresas no Brasil preferem usar apenas o verbo NORMALIZAR, no sentido de “tornar normal” e de “estabelecer normas”.

A maioria, entretanto, prefere fazer a diferença: NORMALIZAR = tornar normal; NORMATIZAR = estabelecer normas.

Se você prefere o verbo NORMALIZAR, eu respeito; no entanto considerar o verbo NORMATIZAR uma aberração são outros quinhentos.

 

DESAFIOS

1º) Devemos ou não usar o acento da crase na frase:

“Seus 10.000 exemplares ensinam as crianças a importância de respeitar as placas de sinalização, utilizar as passarelas e avisar a concessionária quando há animais soltos na pista.”

Vamos às respostas:

1ª) Devemos “ensinar às crianças a importância de respeitar as placas

de sinalização” (=ensinar aos alunos a importância…);

2ª) Devemos “avisar à concessionária quando há animais soltos na

pista” (=avisar ao responsável quando há animais na pista).

 

2º) Qual é a forma correta: “Superávit do balanço de pagamentos atinge US$1,3 BILHÃO ou BILHÕES”?

Resposta: US$ 1,3 BILHÃO, ou seja, um bilhão e 300 milhões de dólares.