segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LEONARDO DA VINCI



Vida:

Leonardo Da Vinci nasceu no dia 15 de abril de 1452, no vilarejo de Anchiano, que se situa na cidade de Vinci, perto de Florença, na Itália. Era filho de Piero Da Vinci e de Caterina. Foi arquiteto, engenheiro, cientista, escultor e pintor do Renascimento italiano. Na adolescência, Leonardo da Vinci foi fortemente influenciado por duas grandes personalidades da época: Lorenzo de Médici e o grande artista Andrea del Verrocchio.

Lorenzo de Médici, um grande humanista e comunicador inspirou Leonardo na parte da comunicação, fazendo com que começasse a fazer seus quadros com maior animação gestual, o que o levou a tornar-se mestre nesta arte.

Em 1468, com 16 anos, Leonardo mudou-se para Florença, e iniciou seu aprendizado no ateliê de Verrocchio. O artista, de grande prestígio da época, lhe ensinou toda a base que mais tarde o levaria a tornar-se um grande pintor. Leonardo também aprendeu escultura, arquitetura, ótica, perspectiva, música e até botânica.

Em 1472, com 20 anos já era membro do grêmio dos pintores florentinos e sua carreira começa a ficar independente do mestre Verrocchio.

De 1513 a 1516 ele morou em Roma onde os pintores Raphael e Michelangelo eram, na ocasião, muito requisitados, porém, Da Vinci não teve muito contato com estes artistas.

Em 1516 ficou a serviço de FranciscoI como primeiro pintor, engenheiro e arquiteto do Rei. Foi dado a ele o uso do Castelo Cloux Lucé, próximo ao Castelo de Amboise residência do Rei, junto com uma pensão generosa. Da Vinci e o Rei ficaram bons amigos.

Leonardo morreu no dia 2 de maio de 1519 em Cloux, França, e de acordo com o seu desejo, 60 mendigos seguiram seu caixão. Leonardo Da Vinci foi enterrado na Capela de São Hubert no Castelo de Amboise.

Obras:

Leonardo Da Vinci produziu muitas obras, algumas delas são: De Divina Proportione ou O Homem Vitruviano (1490), A Última Ceia (1495-1497), Mona Lisa ou A Gioconda (1503-1507), A Anunciação (1472-1474), O Batismo de Cristo (1475-1478), Madona Benois (1478-1480), Madona Litta (1490-1491), etc







FONTE: EDMS – Trabalhos Escolares, Educação & Diversão (ANO 2000 - 2003)


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TRIGONOMETRIA


Trigonometria é o ramo da Matemática que trata das relações entre os lados e ângulos de triângulos (polígonos com três lados). A trigonometria plana lida com figuras geométricas pertencentes a um único plano, e a trigonometria esférica trata dos triângulos que são uma seção da superfície de uma esfera. 

A trigonometria começou como uma Matemática eminentemente prática, para determinar distâncias que não podiam ser medidas diretamente. Serviu à navegação, à agrimensura e à astronomia. Ao lidar com a determinação de pontos e distâncias em três dimensões, a trigonometria esférica ampliou sua aplicação à Física, à Química e a quase todos os ramos da Engenharia, em especial no estudo de fenômenos periódicos como a vibração do som e o fluxo de corrente alternada.

A trigonometria começou com as civilizações babilôlica e egípcia e desenvolveu-se na Antiguidade graças aos gregos e indianos. A partir do século VIII d.C., astronômos islâmicos aperfeiçoaram as descobertas gregas e indianas, notadamente em relação às funções trigonométricas.

A trigonometria moderna começou com o trabalho de matemáticos no Ocidente a partir do século XV. A invenção dos logaritmos pelo escocês John Napier e do cálculo diferencial e integral por Isaac Newton auxiliaram os cálculos trigonométricos.



Logaritmos e Funções Exponenciais

Funções logarítmicas, área de uma faixa de hipérbole, aproximação por trapézios, logaritmos naturais. O número e, a função exponencial, logaritmos decimais, o número e como limite, crescimento, aplicações, principalmente em modelagem.


Geometria Plana e Espacial

Axiomas da geometria plana e espacial, semelhança entre triângulos, relações métricas no triângulo, poliedros, teorema de Euler/Descartes e teorias de áreas e volumes.










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História da Matemática


1800 a.C. – Os sumérios, habitantes do Oriente Médio, desenvolvem o mais antigo sistema numérico conhecido. Em vez dos dez algarismos de hoje (0, 1, 2, 3... até 9), o sistema caldeu tinha 60 símbolos. É por isso que uma hora, desde então, é dividida em 60 minutos, e o dia e a noite têm 12 horas (12 é a quinta parte de 60). Pelo mesmo motivo, o ano é dividido em 12 meses. Já na geometria, o círculo tem 360º, que é seis vezes 60.
520 a.C. – O matemático grego Eudoxo de Cnido (400?-350? a.C.) cria uma definição para os números irracionais. São frações que não podem ser escritas na forma usual, como quatro quintos (quatro dividido por cinco) ou três quartos. Um exemplo é a raiz quadrada de 2; não existem dois números que, divididos um pelo outro, dêem esse resultado. Para escrever esse número é preciso usar infinitos algarismos. De maneira aproximada, ele vale 1,4142135.
300 a.C. – A geometria da Antiguidade chega ao ápice com o grego Euclides. Vivendo em Alexandria, ele sistematiza todos os conhecimentos acumulados até então por seu povo nos dois séculos anteriores, além de diversos teoremas que ele mesmo demonstra. O resultado é o livro Elementos.
250 – Fugindo da tradição grega, que era centrada na geometria, Diofante (século III) inicia um estudo rigoroso de diversos problemas numa área da matemática hoje chamada de álgebra. Uma questão típica algébrica (muito simples): se um homem tem certa idade e seu filho, de 5 anos, a metade dessa idade menos cinco anos, quantos anos tem o pai? Em forma matemática, essa pergunta se escreveria: x = x/2-5.
500 – O algarismo zero até essa época sempre fica subentendido ao se escrever um número que precise dele (como o 10, no sistema atual). Um indiano, cujo nome se perdeu na história, cria um símbolo para o zero. Os árabes começam a usá-lo por volta do ano 700. Em 810, ele aparece explicitamente num texto do sábio Muhammad ibn Al-Khwarizmi (780-850).
1202 – O matemático italiano Leonardo Fibonacci (1170?-1240) é o primeiro europeu a usar os algarismos arábicos, que são empregados atualmente para escrever os números. Até então, os europeus utilizavam os algarismos romanos, como o I (que vale 1), o V (5) e o X (10). Fibonacci também adota o zero, que os europeus já conheciam, mas, na prática, não empregavam.
1535– Encontra-se um método para resolver as equações algébricas de terceiro grau. São aquelas em que a incógnita aparece elevada ao cubo, como na equação x3 + 1 = 0. A autoria da fórmula é disputada por dois italianos: Niccolò Tartaglia (1499-1557) e Geronimo Cardano (1501-1576).
1545– Primeira sugestão de que certas contas podem ter como resultado um número negativo. A proposta causa espanto porque, na época, parece absurdo algo ser menor que nada, ou seja, zero. O italiano Geronimo Cardano, no entanto, usa os novos números para resolver problemas como o de alguém que gastou mais do que possui no banco, tendo então saldo negativo. Assim, ele resolve equações que até então ficavam sem resposta.
1551– Surge a trigonometria, que facilita muito os cálculos, especialmente os celestes, em que é preciso somar, diminuir ou multiplicar valores de ângulos. A trigonometria estabelece regras que transformam os ângulos em números comuns. Exemplo: em vez de um ângulo de 30º, pode-se falar no seno de 30, que vale 0,5. O criador do novo cálculo é o alemão Georg Joachim Iserin von Lauchen (1514-1576), conhecido como Rético, aluno do astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
1591– O francês François Viète (1540-1603) abandona a prática de escrever matemática por meio de palavras. Até então as equações, os números e as incógnitas eram apresentados por extenso, de maneira trabalhosa e confusa. Viète passa a representar suas equações utilizando como símbolos as letras do alfabeto. Uma soma, por exemplo, fica assim: x+y = z. Isso torna a resolução de problemas extremamente mais fácil.
1614– Publica-se a primeira tábua de logaritmos. Seu autor é o escocês John Napier (1550-1617). O logaritmo simplifica cálculos muito trabalhosos por meio do uso de expoentes, como 2 ao cubo, que significa 2 vezes 2, vezes 2. Ou seja, 8.
1637– Surge a geometria analítica, desenvolvida pelo filósofo, físico e matemático francês René Descartes (1596-1650). A nova disciplina é uma espécie de mistura entre a álgebra e a geometria, pois Descartes ensina a transformar pontos, retas e circunferências em números. Depois mostra como fazer contas com as figuras geométricas. Na geometria analítica, um ponto pode ser escrito como um par de números na forma (1, 2). Uma reta pode ser uma equação como x + y = b.
1654 – O cálculo das probabilidades é criado pelos matemáticos franceses Pierre de Fermat (1601-1665) e Blaise Pascal (1623-1662), que também era físico. Curiosamente, eles desenvolvem esse novo ramo da matemática quase como uma diversão, a partir de um problema levado a eles por um jogador de dados, Chevalier de Mere. De Mere pergunta se é possível prever os resultados de um jogo. Os matemáticos dizem que sim – pelo menos em certas circunstâncias e até certo ponto.
1669– O físico inglês Isaac Newton (1642-1727) inventa o cálculo diferencial e integral. Com ele torna-se possível calcular a área ou o volume de qualquer figura geométrica, não importa a sua forma. Até então, para cada figura era preciso criar uma fórmula diferente.

1685 – Criação dos chamados números imaginários. Eles aparecem quase como um complemento dos números negativos. Durante muito tempo, ninguém sabe dizer qual seria a raiz quadrada de -1 (menos um). Essa conta não dá -1, pois -1 é raiz de 1 (porque -1 vezes -1 é 1). Ela também não dá 1, que também é raiz de 1. O inglês John Wallis (1616-1703) resolveu a questão criando um número, chamado i, que é a raiz quadrada de -1. Quer dizer que i vezes i dá -1. O i é o mais simples dos números imaginários, que, apesar do nome, são tão verdadeiros quanto os outros números.
1744– A família de números transcendentais entra para o mundo da matemática encontrada pelo suíço Leonard Euler (1707-1783). Euler estuda as chamadas equações algébricas, que possuem, por exemplo, a forma x2+x+1= 0. Percebe que elas têm todos os tipos de solução: números inteiros, imaginários, irracionais, frações etc. Mas nenhuma equação dessa categoria jamais dá, por exemplo, uma resposta igual a p (3,1416...). Hoje se sabe que existem infinitos números que nunca podem ser solução de uma equação algébrica. São os chamados transcendentais.
1822– O desenvolvimento da geometria projetiva abre caminho para a geometria moderna. Esse novo ramo de estudo analisa as formas geométricas de vários ângulos diferentes. Assim, uma pirâmide vista de cima aparece como um quadrado; vista de lado torna-se um triângulo. Seu criador é o francês Jean Victor Poncelet (1788-1867).
1824 – O norueguês Niels Henrik Abel (1802-1829) descobre que é impossível resolver as equações de quinto grau. Durante anos, os matemáticos haviam procurado uma fórmula para chegar a um resultado. São equações em que a incógnita vem elevada à quinta potência, na forma x5+x4+x3+x2+x+1 = 0.
1826– A geometria não euclidiana, é criada pelo russo Nicolai Ivanovich Lobachevsky (1792-1856). Segundo ele, para que os teoremas de Euclides sejam válidos é desnecessário supor que só dá para construir uma paralela a uma reta passando por um ponto fora dessa reta. Esse conceito vinha sendo um dos alicerces da geometria desde cerca de 300 a.C. A partir da idéia oposta, de que é possível construir infinitas paralelas a uma reta passando por um ponto fora dessa reta, Lobachevsky elabora a nova geometria.

1874 – Demonstra-se que existem números maiores que o infinito. Eles são chamados pelo alemão Georg Cantor (1845-1918) de transfinitos. Na série dos números inteiros, que vai de 1, 2, 3 até o infinito, existem infinitos números. Em outra seqüência, além do 1, 2, 3 até o infinito, entram também todas as suas frações (como o 1,0001, por exemplo). Dá para provar que essa seqüência é maior que a primeira série. Então, como essa é infinita, a quantidade de números da segunda seqüência é maior que o infinito.
1899 – A geometria passa pela reforma mais profunda desde sua criação, mais de dois milênios atrás. O autor é o alemão David Hilbert (1862-1943), que analisa todas as novidades incorporadas à matemática nos séculos anteriores e a geometria é reescrita.
1931– O alemão Kurt Gödel (1906-1978) demonstra que, dentro de qualquer sistema matemático, como a álgebra ou a geometria, sempre existem teoremas que não podem ser provados nem desmentidos.
1977– A Teoria do Caos começa a se tornar uma disciplina bem estruturada. Diversos pesquisadores trabalham para aprimorá-la, especialmente o norte-americano Robert Stetson Shaw (1945-). Essa teoria surge do estudo de certas figuras geométricas especiais. Uma árvore cujo tronco se divide em dois galhos principais, e cada um deles, por sua vez, reparte-se em dois ramos menores e assim por diante, contém cópias de si mesma dentro dela e recebe o nome de fractal. Muita coisa na natureza se comporta como um fractal – como os redemoinhos, que contêm redemoinhos menores dentro deles. A Teoria do Caos ensina que todos os fenômenos desse tipo parecem caóticos, mas podem ser colocados em fórmulas matemáticas.
1993– O matemático inglês Andrew Wiles (1952-) consegue provar o último teorema de Fermat. Esse teorema lida com expressões do tipo 32+42 = 52 (9+16 = 25) em que o 3, o 4 e o 5 estão elevados ao expoente 2. Fermat afirma, em 1637, que esse tipo de igualdade só dá certo quando o expoente é 2. Ele diz ter a prova dessa descoberta, mas não a apresenta. Até hoje há dúvida sobre a declaração do francês.

Surgimento dos Números Naturais

No século VI foram fundados na Síria alguns centros de cultura grega. consistiam numa espécie de clube onde os sócios se reuniam para discutir exclusivamente a arte e a cultura vindas da Grécia.
Ao participar de uma conferência num destes clubes, em 662, o bispo sírio Severus Sebokt, profundamente irritado com o fato de as pessoas elogiarem qualquer coisa vinda dos gregos, explodiu dizendo:
"Existem outros povos que também sabe alguma coisa! Os hindus, por exemplo, Têm valiosos métodos de cálculos. São métodos fantásticos! E imaginem que os cálculos são feitos por meio de apenas nove sinais!".
A referência a nove, e não a dez símbolos, significa que o passo mais importante dado pelos hindus para formar o seu sistema de numeração - a invenção do zero - ainda não tinha chegado ao Ocidente.
A idéia dos hindus de introduzir uma notação para uma posição vazia - um ovo de ganso, redondo - ocorreu na Índia, no fim do século VI. Mas foram necessários muitos séculos para que esse símbolo chegasse à Europa.
Com a introdução do décimo sinal - o zero -, o sistema de numeração tal qual o conhecemos hoje estava completo.
Hoje, estes símbolos são chamados de algarismos indo-arábicos.
Se foram os matemáticos hindus que inventaram o nosso sistema de numeração, o que os árabes têm a ver com isso? E por que os símbolos 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 são chamados de algarismos?




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Conflitos entre Judeus e Palestinos


A História dos conflitos entre Judeus e Palestinos
“A História dos Conflitos "Palestina x Israel”

            A Palestina foi marcada neste século por uma colonização estrangeira que afetou o modo de vida de todo o Oriente Médio - a colonização judaica baseada no sionismo político, ideologia vinculada a um projeto de despossessão da terra de seus proprietários originais.
                A execução de parte das metas do sionismo, com o apoio norte-americano e inglês, é sem sombra de dúvida o fator mais importante na manutenção do estado de guerra no Oriente Próximo desde o início do século até os dias de hoje. Este movimento originou-se no final do século XIX, tendo como seu momento fundador o Congresso da Basiléia, em 1897, sob a liderança de Theodor Herzl.
                O historiador judaico-americano Norman Finkelstein, em importante obra sobre o assunto,  identifica o "consenso ideológico" em que se desenvolve a crença sionista.    Para Norman, um dos elementos centrais deste consenso, que a Palestina deveria um dia conter uma maioria judaica, provou ser o principal obstáculo para qualquer reconciliação com os árabes.
                O sionismo, como se desenvolveu nos primeiros tempos na Europa, era infelizmente ignorante das reais condições da Palestina. De fato, Herzltinha pronunciado triunfantemente o slogan "Para um povo sem terra, uma terra sem povo".
A futura proteção prometida pela liderança sionista à minoria árabe não excluía que, em princípio, o Estado pertenceria ao povo judeu.
                O sionismo desejou estabelecer um Estado que o povo judeu poderia alegar inteiramente como sendo seu. Em um Estado assim concebido, os não judeus, mesmo desfrutando os direitos de cidadania, poderiam esperar figurar, na melhor das hipóteses, como uma excrescência no corpo político.
Esta formulação sionista levou às duas questões políticas que prevaleceram durante o mandato britânico: a partilha e a transferência de população. Para o movimento sionista, a pátria "histórica" dos judeus incorporava toda a Palestina, incluindo a Transjordânia, as Montanhas de Golan e o sul do Líbano (embora ainda haja facções sionistas defendendo que o "Sião" estende-se dos rios Nilo ao Eufrates).
                Ao final da I Guerra Mundial, o Oriente Médio foi dividido entre França e Inglaterra, que estabeleceram suas áreas de influência. A França estabeleceu mandatos sobre a Síria e o Líbano, enquanto a Inglaterra controlava a Palestina e a Jordânia. Os ingleses apoiaram o projeto do sionismo e autorizaram a entrada de imigrantes judeus provenientes da Europa e EUA, que vieram a desequilibrar o equilíbrio populacional da região. Em 1914 havia 500.000 muçulmanos e cristãos na Palestina contra 85.000 judeus.
                Estes novos imigrantes, que se estabeleceram em assentamentos no campo, eram europeus ignorantes e insensíveis aos costumes árabes na Palestina. Por exemplo, após estabelecer suas colônias, bloqueavam os direitos costumeiros de pastagem às vilas adjacentes, tomavam os carneiros que ultrapassavam as fronteiras e multavam os árabes que eram seus donos. Tais condutas levaram a violentos conflitos entre os árabes e os judeus sionistas, pois os árabes sentiam-se alienados das terras que cultivaram por séculos.
                Como os objetivos das comunidades árabe e judaica divergiam, na década de 20 começou o ciclo de violência que até hoje não terminou.
Em 1929 ocorreu o primeiro conflito grave, causado por uma disputa religiosa entre judeus e muçulmanos em Jerusalém, seguida de confrontos em Jerusalém e Hebron que deixaram mais de duas centenas de mortos. Em 1936, os palestinos começam uma greve geral e repetiu-se em escala muito maior a seqüência dos eventos de 1929 de violência árabe e resposta britânica.
                Após a Guerra, os sionistas repudiaram o mandato britânico e começaram a batalha contra a Inglaterra, atacando seus postos e tomando suas armas para o conflito que viria a seguir - ao mesmo tempo em que compravam armas da Tchecoslováquia. Com o fracasso dos planos de partilha propostos pelos ingleses, o assunto foi levado às Nações Unidas. Em maio de 1947 instalou-se a Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina (UNSCOP), que terminou suas investigações em agosto. A proposta da comissão foi levada a votação em assembléia presidida pelo representante brasileiro na ONU, Ministro Oswaldo Aranha, em novembro de 1947.
                Colocado em votação o plano de partilha da UNSCOP, o resultado foi o esperado, uma vez que as grandes potências haviam decidido seus votos favoravelmente à partilha: 33 países votaram a favor, 13 votaram contra e 10 se abstiveram.
A decisão das Nações Unidas foi seguida pelo avanço imediato dos sionistas sobre territórios que não lhes haviam sido consignados pelo organismo internacional, e dos exércitos dos países árabes sobre o novo território israelense, dando origem à guerra de 1948 ou primeira guerra árabe-israelense - conflito conhecido ainda como o Desastre (para os palestinos), a Guerra da Palestina (para os países árabes), ou a Guerra de Independência (para os judeus), embora a história mostre que de fato trata-se de uma Guerra de Colonização.
                Apesar de que inicialmente as Forças de Defesa Israelenses tivessem dificuldades para conter a invasão dos exércitos regulares árabes, em dezembro de 1947 a situação era a oposta: o exército egípcio havia sido empurrado para o sul e Israel avançou para o Deserto do Sinai, evacuando-o após pressão internacional; no norte, as forças israelenses derrotaram as pequenas forças libanesas e sírias e capturaram parte do Líbano, evacuando esta área após os acordos de 1949. Ao final da guerra, Israel tinha se apoderado de uma área duas vezes maior do que a designada pelas Nações Unidas, ali se estabelecendo militarmente e proclamando a criação do seu Estado em maio de 1948. O Estado dos palestinos previsto pela ONU deixava de se tornar uma realidade, tendo seu território dividido entre Israel, Transjordânia e Egito.
                Com o avanço israelense para as áreas designadas aos palestinos, a população local em cada área sucessivamente conquistada abandonou suas aldeias e cidades, tornando-se um povo refugiado.
                Os anos compreendidos entre o final da década de 1940 e os dias de hoje testemunharam a manutenção do conflito entre israelenses e árabes - especialmente palestinos. Uma visão simplista ou deformadora da realidade aponta para o reconhecimento de sete guerras árabe-israelenses entre novembro de 1947 e junho de 1982.
                Essas classificações, se funcionais para os propósitos do relato histórico, obscurecem o fato de que na realidade trata-se da mesma guerra que vem sendo travada desde os anos 30, quando a colonização sionista da Palestina tornou-se definitivamente conflituosa com a sociedade árabe local. Desta forma, o mais recomendado seria considerar que a guerra árabe-israelense é a mesma desde os anos 30, porém com diversos ciclos de violência.
Estabelecido o Estado sionista e estabelecido o cessar-fogo entre Israel e os países árabes em 1949, ao longo da década de 50 os antagonismos mútuos foram traduzidos em atos políticos, econômicos e militares como boicote árabe a produtos israelenses, fechamento do golfo de Tirana e do Canal de Suez aos navios de Israel, infiltração armada através das fronteiras e ataques israelenses sobre Jordânia, Faixa de Gaza e Síria.
                Em 1956, Israel, em coalizão com a França e Inglaterra e armado pela primeira, atacou o Egito, procurando deter sua evolução a potência regional sob o comando de Nasser, líder de um forte nacionalismo pan-árabe e aliado à URSS. Eram três os objetivos estratégicos israelenses: atingir o canal de Suez para abrir caminho para a operação anglo-francesa; destruir o exército egípcio no Sinai; e capturar Sharm el-Sheikh, ponto ao sul do Sinai dominando os Estreitos de Tirana.
                O que foi inicialmente uma vitória militar de Israel, que com o domínio total dos ares levou somente quatro dias para atingir seus objetivos, tornou-se uma vitória política para Nasser, que continuou no poder. Sob forte pressão de Washington, os ingleses e franceses foram obrigados a retirar-se do Egito e no ano seguinte Israel evacuou a Faixa de Gaza e o Deserto do Sinai.
                No início de 1967, temendo o aumento do nacionalismo trans-árabe, o governo norte-americano autorizou Israel a lançar uma guerra contra Egito, Síria e Jordânia - a  Guerra dos Seis Dias, de junho de 1967, teve conseqüências profundas para o mundo árabe. Um ataque surpresa das forças israelenses destruiu as forças aéreas do Egito e da  Síria, enquanto em terra Israel atacava posições egípcias no Sinai e em Gaza. A Jordânia tomou o governo internacional de Jerusalém e bombardeou Tel-Aviv; em resposta,  Israel atacou e capturou toda a margem ocidental do Rio Jordão, incluindo Jerusalém, capturando ainda as Montanhas de Golan, pertencentes à Síria.
                Este movimento renovou a guerra pela Palestina, sob o controle israelense a oeste do Rio Jordão. Em Israel, a posse da Margem Ocidental gerou uma onda de nacionalismo místico que reforçou a ligação a um território cujo valor estratégico tinha sido demonstrado pela guerra. No mundo árabe, a OLP ganhava sua autonomia, tornando-se um ator importante no futuro do conflito.
                Nos territórios ocupados, o regime era de total falta de liberdade e respeito com as populações locais. O relatório da Liga Israelense pelos Direitos Humanos e Civis relata como se dava a negação de todos os direitos de expressão e organização política sob o regime de ocupação. Em outras palavras, a liberdade, liberdade total de expressão e organização prevista na Carta dos Direitos Humanos (liberdade de organização política, demonstrações, assembléias e qualquer outra forma de atividade política não-violenta) é totalmente negada aos palestinos sob a ocupação israelense.
                Além da falta de liberdade política, há ainda a questão da exploração do trabalho, pois aos palestinos são oferecidos os piores empregos e salários mais baixos do que os pagos aos israelenses - situação que predomina até hoje nos territórios ocupados e dentro de Israel.
                A resistência palestina, entretanto, tornava-se proeminente. Com a permissão do Rei Hussein da Jordânia, a OLP passou a usar este território como base, formando um Estado dentro de um Estado e intensificando suas operações contra Israel: bombardeios através da fronteira jordaniana e libanesa; sabotagem dentro de Israel; violência contra alvos israelenses e judeus fora do Oriente Médio. Estas atividades tiveram um papel crucial no estabelecimento da OLP no mundo árabe e para familiarizar a comunidade internacional com a OLP e a questão palestina. A discordância da OLP a aceitar o cessar-fogo levou à guerra civil dentro da Jordânia e à sua expulsão deste país em setembro de 1970. Em conseqüência, a OLP estabeleceu-se no território libanês, construindo não apenas uma estrutura política e militar, mas também assistencial e educacional.
                Em outubro de 1973 ocorreu novo conflito árabe-israelense, referido pelos árabes como Guerra do Ramadam e pelos israelenses como Guerra do Yom Kippur. A Arábia Saudita envolveu-se no conflito, impondo, junto com o Iraque e a Líbia, o boicote à venda de petróleo aos apoiadores de Israel. A União Soviética ajudou o Egito a evitar uma derrota militar decisiva, enquanto os Estados Unidos sentiam que o momento deveria ser usado para estimular o movimento de ocidentalização do Egito.
                A guerra terminou inconclusivamente com o cessar-fogo imposto pelos norte-americanos em 24 de outubro de 1973. Em Golan, Israel havia ganhado mais território; no sul, estava em controle de grande parte do território egípcio, porém os egípcios dominavam a margem oriental do Canal de Suez. Politicamente, a vitória não foi egípcia nem israelense: em Israel, havia um grande número de mortos, feridos e prisioneiros de guerra; houve um declínio interno da força do governo e enfraquecimento da posição de Israel regional e internacionalmente, acompanhado de um aumento da influência árabe no mundo.
                Uma importante conseqüência da Guerra de Outubro foi que provocou o fim do impasse que prevalecia desde 1967, levando os protagonistas a participar do processo de paz promovido pelos Estados Unidos - que fornecera armas para Israel no meio da guerra e ao mesmo tempo salvara o Egito de uma derrota total. Com o adiamento da questão da autonomia palestina, tornaram-se possíveis os acordos de Camp David em 1978, que selaram a paz entre Egito e Israel.
                Em 1978, em seguida a um forte atentado em Israel, o exército israelense invadiu o Líbano até o Rio Litani. Mas o Conselho de Segurança da ONU ordenou a sua retirada.
                Em 1982, Israel invadiu novamente o Líbano visando acabar com a presença da OLP naquele país. À época, a moderação de Arafat, que passava a pregar a convivência com os israelenses, era uma ameaça para os objetivos expansionistas destes, portanto novas atitudes militares teriam de ser tomadas. Desta vez, os israelenses ocuparam boa parte de Beirute, onde a destruição foi incalculável - somente nos primeiros anos da década de 90 a cidade passou a ser reconstruída e a recuperar parte de seu antigo glamour. O total de civis libaneses mortos devido à ocupação israelense foi superior a 20.000 pessoas.
                A ação proposta pelo ministro da defesa Ariel Sharon deveria ser curta, porém de fato teve a duração de vários meses. Seus objetivos eram de: destruir a infra-estrutura militar da OLP no sul do Líbano e eliminar sua capacidade de bombardear o norte de Israel; se prevenir contra a possibilidade da Síria lançar uma nova guerra; ajudar a reconstruir o governo central libanês ajudando o aliado israelense Bashir Gemayel; melhorar sua posição no processo de paz destruindo a base territorial autônoma da OLP no Líbano e formando uma relação normal com um segundo estado árabe.
Temendo ainda a permanência de dois mil militantes palestinos da OLP nas áreas sul e oeste de Beirute, Israel decidiu tomar também esta parte da cidade, provocando imensa destruição e mortandade. Sob a vigilância e permissão do exército israelense, as milícias falangistasmassacraram os acampamentos palestinos de Sabra e Chatila, deixando 3297 palestinos mortos, o que deu um novo desenvolvimento à guerra - Israel foi forçado a concordar com a retirada de suas forças do Líbano, onde seriam substituídas por uma força internacional.
                A estratégia israelense fracassou ao deixar o Líbano em convulsão, permitindo a entrada dos sírios, e ao reforçar a identidade e a ligação dos palestinos que, apesar de exilados, logo se reagrupariam novamente e com mais força (expulsa do Líbano, a cúpula da OLP recebeu asilo na Tunísia). Além disso, o aliado israelense Bashir Gemayel foi assassinado logo após ter assumido o governo e nenhum outro líder libanês recebeu a aprovação do governo sionista.
                Em maio de 1983, um acordo entre Israel e o Líbano efetivou a saída das forças israelenses de Beirute, porém o entendimento sobre o retorno à normalidade no sul permaneceu não efetivo porque as tropas sírias tampouco deixaram o Líbano (pelo acordo, todas as forças estrangeiras deveriam deixar o país), além de não haver interesse para Israel na retirada de suas forças do sul do Líbano. Posteriormente, as forças israelenses foram substituídas pela milícia do Major Haddad (Exército do Sul do Líbano), que passou a controlar o sul do país sob instrução e comando israelense. O Líbano sul tornou-se então teatro de combates opondo a milícia pró-israelense e os destacamentos israelenses à resistência islâmica libanesa, capitaneada pelo Hizbollah.  Esta situação perdurou até maio de 2000, quando a guerrilha de resistência conseguiu impor aos israelenses uma retirada unilateral e provocou a desarticulação do ESL.
                Em 1987, o movimento de resistência palestina à ocupação israelense toma novo fôlego na forma da intifada, também conhecida como revolta das pedras, em que a população dos territórios ocupados demonstrou oposição ao domínio israelense, através de greves, manifestações e apedrejamentos dos postos militares e soldados israelenses, provocando a retomada da questão em nível internacional e levando aos processos de paz que culminaram com o acordo de Oslo, realizado entre Arafat e Rabin em 1993.   Segundo este acordo estava prevista uma retirada progressiva das tropas israelenses dos territórios palestinos ocupados em 1967, o que foi sendo protelado pelos sucessivos governos israelenses após a morte de Rabin. A assinatura do acordo de paz entre Israel e a Organização da Libertação da Palestina, estabeleceu um autogoverno da Palestina, em 1994.

 

O Conflito Hoje


            O não cumprimento do acordo por parte dos israelenses levou à retomada da intifadano final de setembro de 2000, agora mais forte do que jamais foi e incluindo também a população árabe de Israel. Os palestinos exigem a retirada incondicional de Israel dos territórios ocupados (incluindo os assentamentos ilegais que ali vêm sendo construídos), conforme a Resolução N. 242 da ONU. Exigem também a desocupação da parte árabe de Jerusalém (Jerusalém oriental), que deverá ser a capital do futuro Estado palestino.
                E hoje, cenas como essas se vêem a todo o momento na TV. Sinal de que o grande conflito Palestina x Israel ainda tem muito tempo de "vida" pela frente.






FONTE: EDMS – Trabalhos Escolares, Educação & Diversão (ANO 2000 - 2003)


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Apagão - "A crise de energia"


Introdução

No Brasil, mais de 90% da energia é produzida nas hidrelétricas, que dependem de água em níveis adequados em seus reservatórios para gerar energia. Infelizmente, este ano, a ausência de chuvas foi das maiores das últimas décadas, prejudicando a oferta de energia. Por isso, os consumidores terão uma meta a cumprir: reduzir o consumo de energia em, no mínimo, 20%.

Reservatórios se mantêm dentro do esperado

            Os níveis dos reservatórios das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste estão se mantendo dentro das expectativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para que o País chegue ao final de novembro com o mínimo de água que garanta segurança para a geração de energia necessária.
            De acordo com documento compilado pelo operador no final do mês de maio e apresentado ontem pelo secretário de Energia do Estado de São Paulo e membro da Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGCE), Mauro Arce, durante palestra na Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), a expectativa é que nesta sexta-feira (dia 8) os reservatórios do Sudeste/Nordeste ficassem em 29,2% de sua capacidade. Como os números relativos a hoje só serão consolidados no final da noite, a referência mais próxima é o resultado de ontem, quando o nível médio das represas estava em 29,46%. Levando-se em conta que nos últimos sete dias a redução diária média foi de 0,03 ponto percentual no volume de água, a meta deve ser cumprida com folga.
            No Nordeste, apesar de a situação ser mais grave, em razão de haver praticamente apenas o rio São Francisco como fonte para alimentar as reservas, e este estar com seu volume de água muito abaixo da média, o nível das reservas chegou ontem a 26,70%, enquanto a estimativa ideal para hoje foi fixada pelo ONS em 26,60%. Nos últimos sete dias, também, a média diária de redução do volume de água naquela região foi de 0,07 ponto percentual, o que indica que a meta também deve ser cumprida.
            Vale observar, porém, que o nível dos reservatórios pode variar em maior ou menor proporção em razão de chuvas, evaporação natural e aumento ou redução do consumo de energia a cada dia.

Apagão é inevitável se chuva for abaixo de 75% da média

            A cota de redução no consumo de energia, a ser cumprida por todos os consumidores desde 1de junho, continua dependente de um dos fatores que causaram a crise de energia - as chuvas. A meta de redução de 20% só terá resultado para os reservatórios das usinas se chover pelo menos 75% da média entre junho e novembro. Caso contrário, os apagões serão inevitáveis.
            O comportamento atípico das chuvas este ano, que ficaram bem abaixo da média histórica, frustrou o planejamento energético. Em maio, choveu apenas 71% no Sudeste e 40% no Nordeste em relação ao esperado.
            A crise energética evidenciou um problema até então encarado com timidez ou indiferença pelo poder público em todos os níveis: a iminente crise da água, resultado da superexploraçãoe falta de preocupação ambiental com os mananciais. Má distribuição da água, desmatamento, desperdício e conflitos de uso são alguns dos problemas que tornam a escassez de água, não mais uma preocupação de ambientalistas e técnicos alarmistas, mas reconhecida até pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.           Em seu pronunciamento sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente, ele alertou sobre a necessidade de preservação das fontes naturais.
            Essa situação é resultado de um padrão de desenvolvimento sem planejamento, que consome muita água e energia e não protege os mananciais. A distribuição dos recursos hídricos no país maximiza o problema, já que 68% da água brasileira está na região Norte, onde vive apenas 7% da população. Ao contrário, as regiões Sudeste e Nordeste concentram 43% e 29% da população, respectivamente, mas contam com somente 7% (SE) e 3% (NE) da disponibilidade hídrica.
            A produção de água é uma das funções das florestas, mas 70% da população brasileira viveno Domínio da Mata Atlântica, cuja vegetação foi reduzida pelo desmatamento a menos de 8% da cobertura original. Por isso, a fonte está secando e as medidas conservacionistas são urgentes.
            Além de manter as águas subterrâneas (lençol freático), a vegetação serve para proteger os corpos d´água, através das matas ciliares - faixa de mata de, no mínimo, 30 metros de cada lado dos rios, determinada pela lei. Elas formam uma barreira física, que filtra a água, impedindo a chegada de sedimentos e agrotóxicos. Além disso, colaboram para a manutenção da temperatura da água e conseqüentemente para a manutenção da vida aquática.
            Considerada uma das três bacias brasileiras em situação mais crítica - junto com as dos rios Paraíba do Sul e São Francisco-, a Bacia do Piracicaba, na região de Campinas, em São Paulo, teve seu crescimento econômico ligado justamente à abundância hídrica. O resultado é uma população de cerca de 4milhões de pessoas, irrigação, indústrias que usam muita água como insumo (cervejarias, refinarias etc.), poluição por esgotos, além da perda de um terço de sua água, que é bombeada para o Sistema Cantareira, para abastecer mais 3 milhões de pessoas na Grande São Paulo. A conseqüência é o risco, a curto prazo, de racionamento de água na região.

Energia a gás

            Substituir equipamentos industriais movidos a energia elétrica por outros a gás natural é a saída mais rápida neste momento de crise. E pode ser um bom negócio. A Brasilamarras, do Rio, fabricante de correntes para navios, passou seu forno de elétrico para gás. A conversão é recente e não permite cálculos, mas o professor do Programa de Energia da USP, Edmilson Moutinho dos Santos, diz que a transformação de equipamentos elétricos dá uma economia à indústria de até 15%. A Ultragaz teve um aumento de 100% nas consultas nos últimos 60 dias apenas do setor de construção civil, interessado em projetos de aquecimento a gás, diz Alexandre Branco Callero, gerente comercial. Uma missão do governo argentino se encontrou com o ministro de Minas e Energia, José Jorge, para dizer que o país pode vender 650 MW além dos 2 mil MW contratados.

Plano de racionamento ameaça cerca de 180.000 empregos

            Depois da paralisação das linhas de produção, o corte de vagas é visto como o segundo efeito mais drástico e provável da crise energética. Uma entre cada cinco grandes indústrias do país deverá demitir pessoal por causa do plano de racionamento. E mais de 65% decidiram reduzir ou abandonar os projetos de investimentos, segundo pesquisas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
            Ainda conforme a pesquisa, mais de 40% das pequenas e micro empresas acham que há alto risco de dispensa, contra 19,5% das grandes empresas - com mais de 500 empregados. O levantamento ouviu 401 indústrias nos dias 24 e 25 de maio.
A instabilidade no setor foi confirmada também pelo presidente do Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo), Joseph Couri. Segundo ele, a crise ameaça o emprego de 180.000 trabalhadores, ou 20% dos 912.000 funcionários do setor.
            Para reduzir o risco de desemprego no setor, o Simpi entregou para o secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, uma pauta de reivindicações que será levada para a Câmara de Gestão da Crise de Energia, o chamado ministério do apagão, em Brasília (DF). As reivindicações incluem a isenção tributária para compra de geradores nacionais e importados e a abertura de uma linha de crédito para financiamento da compra.

            Fernando Henrique Cardoso afirma que 'se não chover o país vai parar'
"Se não chover, o país vai parar." A frase dita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso resume a situação da crise energética no país. FHC admitiu ainda que o governo brasileiro deveria ter percebido a escassez de energia antes de chegar à atual situação. "Deveríamos ter sido alertados e também alertado antes à população. É realmente injustificável. Por enquanto, a crise é temporária, mas se não chover no ano que vem, não saberemos o que fazer", disse ao Jornal do Brasil. "E não vamos pensar que poderemos resolver o problema com as termoelétricas porque nosso sistema é basicamente hidrológico."
            O presidente anunciou que está pensando em reeditar a medida provisória que cria a Câmara da Gestão da Crise Energética para não prejudicar os consumidores. Na tentativa de reverter o mal-estar criado pela medida, ele determinou à Advocacia Geral da União que convoque entidades de defesa do consumidor para corrigir decisões que tenham aparecido "como se fossem ferir o Código".
            "Apesar de haver um apoio grande da população, há um certo mal-estar em relação ao Código de Defesa do Consumidor. É importante que os consumidores não sejam prejudicados", declarou o presidente.
            A medida provisória do racionamento foi duramente criticada pelo judiciário e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sob a alegação de que é inconstitucional. "Talvez as medidas não tenham sido bem explicadas, bem compreendidas ou talvez elas não sejam razoáveis", admitiu o presidente.
            Enquanto isso, o governo continua estudando uma maneira de fazer com que a cobrança da sobretaxa na conta de luz se torne permanente. De acordo com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, David Zylbersztajn, quem consome mais energia deve pagar mais. "Podemos estudar uma tarifa mais cara para quem utiliza mais energia", afirmou Zylbersztajn, que integra o chamado Ministério do Apagão.

Racionamento pode durar até maio de 2002

            A Câmara de Gestão da Crise Energia (CGCE) analisa a extensão do plano de racionamento de eletricidade até maio de 2002, para permitir a plena recomposição dos reservatórios das usinas hidrelétricas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. A proposta, que já foi considerada pelo presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, foi defendida pelo deputado Eliseu Resende (PFL-MG) frente ao presidente da CGCE, Pedro Parente. "O próprio governo está entendendo que o racionamento deve durar um ano. Tanto que não fixou prazo", afirmou.
            "Pedro Parente, com razão, não quis definir uma data final, mas tudo indica que o racionamento terá de abranger o período das chuvas e terminar só em abril ou em maio do ano que vem", completou Resende, ex-ministro dos Transportes e da Fazenda, ao deixar o Palácio do Planalto. Em princípio, a CGCE manteria o plano de racionamento de 1º de junho ao final de novembro, quando começa o período de chuvas na maior parte do País.
            A decisão, entretanto, levará em conta a redução de consumo verificada nos cinco meses e também o início da geração de novas usinas. Rezende, por sua vez, defende que o racionamento seja suspenso somente no final do período de chuvas, depois de comprovada a produção adicional de energia. O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) acrescentou que as restrições ao consumo podem apenas ser aliviadasquando as chuvas começarem.
            "Mesmo que comece a chover intensamente, a redução do consumo tem de continuar, para podermos passar pelo próximo período de estiagem", declarou o Resende. "Somente o racionamento por um ano permitiria a recuperação dos níveis dos reservatórios." O ex-ministro foi informado por Parente que o governo deverá anunciar, dentro de dois meses, o programa de elevação da oferta de energia. Esse plano inclui obras de instalação de usinas termoelétricas e hidrelétricas, e a expansão de linhas de transmissão.
            O programa ainda está em formulação pelo Ministério de Minas e Energia, pela Petrobrás e pela Eletrobrás. Na opinião de Resende, ainda não há necessidade de incluir as regiões Sul e Norte no racionamento de energia, cujas hidrelétricas mantêm seus reservatórios acima dos níveis de segurança.

Construção de novas usinas hidrelétricas

            O Programa Emergencial de Aumento de Energia no País prevê ampliação ou construção de 20 novas hidrelétricas para aumentar a potência do País em cerca de 6.900 megawatts (MW). O programa, com investimentos de 2001 a 2003, foi anunciado pelo ministro de Minas e Energia, José Jorge, na audiência pública conjunta da Comissão de Infra-Estrutura do Senado e Comissão Especial Mista sobre Crise de Energia Elétrica.
            Segundo Jorge, já neste ano as hidrelétricas com obras em andamento deverão acrescentar 1.116 MW à atual potência instalada. Para 2002, a previsão é de um acréscimo de cerca de 3.000 MW, e, para 2003, de outros 2.400 MW.
            O programa prevê, ainda, a construção de 41 usinas termoelétricas, com capacidade total de geração de 14.000 MW. Diz o ministro que 15 dessas usinas estão com obras iniciadas e devem ampliar a geração de energia em 5.475 MW. As demais teriam capacidade máxima de geração de 8.000 MW. Ele explicou que até o final de 2003 as termoelétricas a gás colocarão no sistema um mínimo de 10.000 MW de potência a mais. As importações deverão ter um incremento de 2.770 MW até o final de 2003, com compras concentradas na Argentina e uma pequena parte proveniente do Paraguai e Uruguai. O Brasil já importa 1.050 MW da Argentina.
            Está prevista a construção de 5.707 quilômetros de linhas de transmissão, além de investimentos em energia eólica, programas de co-geração e investimentos em pequenas centrais hidrelétricas com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e contrato de garantia de compra da energia por parte da Petrobrás (o chamado PPA).
            Nos termos do programa, que já está nas mãos do presidente da Câmara de          Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE), ministro Pedro Parente, essas obras, viabilizadas, acrescentarão aproximadamente 16.500 MW médios à capacidade do País.

Apagões

            O ministro Pedro Parente informou ainda que a Câmara pretende colocar em consulta pública um plano para uma necessidade hipotética de "apagões". Uma comissão da GCE já estuda como poderiam ser feitos os desligamentos sem prejudicar serviços essenciais. Insistindo em que o governo não espera realizar cortes generalizados, o presidente da câmara ressaltou que a apresentação de um plano permitiria uma discussão com a sociedade e, se for necessário aplicá-lo, ninguém seria pego de surpresa.
            Sobre a possibilidade de decretação de um feriado - às segundas-feiras ou sextas-feiras -, o ministro José Jorge explicou que essa medida deve ser usada somente como complementação do plano de racionamento do consumo de energia. Segundo ele, se fosse adotada de forma isolada, seria necessário fazer "um semanão", porque apenas um dia por semana de corte não seria suficiente para reduzir o consumo do País em 20%.
            José Jorge fez essas afirmações em resposta ao deputado Marcos Cintra (PL-SP), que perguntou se a GCE estudava a possibilidade de adotar o feriadão, e comentou que ela seria uma medida razoável, porque, segundo o deputado, evitaria distorções que um corte linear de 20% poderia provocar.
Segundo Cintra, o feriadão já foi adotado em outros países, como o Japão, e há cálculos de que os feriados poderiam propiciar uma economia de energia de 30% ao País.
            O recado energético de Brasília tem o seguinte teor: ou você corta de boa vontade 20% do consumo com eletricidade em casa ou o governo é que vai cortar sua luz. O governo informou à sociedade a lista de medidas que podem ajudar o país a enfrentar a maior crise de energia de sua história. Segundo o plano, quem consome até 100 quilowatts/hora por mês (30% dos lares brasileiros) não precisa economizar nada. Acima dessa faixa, a redução é obrigatória e os que não aderirem ao pacote correm o risco de ter a luz cortada - por três dias na primeira infração, e seis dias em caso de reincidência. Para deixar claro que não está brincando, o governo impôs um tarifaçopunitivo. Contas superiores a 200 quilowatts/hora por mês pagarão 50% a mais sobre o que exceder esse patamar. Haverá uma segunda sobretaxa, de 200%, para as contas acima de 500 quilowatts. Traduzindo o eletriquês, o plano do governo quer que você fique no escuro espontaneamente e ainda assim pague mais pela pouca luz a que!
 terá direito.
            Cortar 20% da luz equivale a abrir mão de todos os seus eletrodomésticos e lâmpadas durante quase cinco horas, todos os dias. Num mês, significa manter tudo apagado por seis dias, quase uma semana. A vantagem da proposta do governo sobre um apagão permanente de cinco horas diárias é que agora cabe a cada cidadão a tarefa de decidir como e o que vai cortar. Cada um promove o próprio apagão. E aqui é preciso prestar muita atenção: na maioria dos casos é praticamente impossível reduzir 20% da conta apenas eliminando o desperdício. Será preciso cortar na carne. Observe o quadro da página 127, que trata do gasto de energia de um apartamento de três quartos com suíte, varanda e dependências completas de empregada. Nele moram um casal, seus dois filhos e uma empregada doméstica que dorme no local. O imóvel possui onze ambientes no total e consome 565 quilowatts hora por mês. De acordo com o programa do governo, os donos desse apartamento precisam economizar 113 quilowatts. O quadro apresenta uma forma racional de fazer isso, mas ela passa por deixar, ao menos temporariamente, o freezer desligado, entre outros eletrodomésticos.
Como todo projeto emergencial, esse foi anunciado de improviso, sem que os detalhes operacionais estivessem devidamente definidos. Um exemplo disso: para definir os 20%, o governo vai usar como base a média de consumo das pessoas no imóvel nos meses de maio, junho e julho do ano passado. E quem não morava naquela residência? Vale a despesa do morador anterior? E se o apartamento é novo? Todas essas perguntas não têm resposta no momento e serão discutidas na fase de implantação do programa. Outro tema importante: o governo tem o direito legal de punir as pessoas que não reduzirem a despesa cortando a luz? Já há advogados argumentando que o tema irá parar na Justiça.
            A situação atual é a seguinte. Entre os maiores consumidores de energia, alguns se prepararam para a crise. É o caso da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), dona de uma usina termelétrica, que produz 15% da energia que consome e está aumentando a capacidade para 22%. A cervejaria Kaiser associou-se a produtores de energia para garantir o fornecimento. Investiu 12 milhões de dólares no projeto. Suas duas principais fábricas podem funcionar independentemente do sistema público de energia. A rede de supermercados Pão de Açúcar compra geradores desde 1998 e, a partir desta semana, as gôndolas serão menos iluminadas.
            Outras companhias foram menos previdentes. Deixaram o tempo passar e, embora estejam apavoradas, agora enfrentam algumas barreiras, como a falta de geradores no mercado. Mais do que isso, nem há turbinas para montar termelétricas a toque de caixa. Por isso, a atitude mais sensata parece ser mesmo a economia brava. "O Brasil está no meio de uma operação de guerra", diz Roberto Hukai, consultor e professor do curso de pós-graduação em energia na Universidade de São Paulo.

O apagão no Brasil...

            Três décadas no limite. Desde o começo dos anos 70, o Brasil convive com o risco de apagões. Nesses trinta anos, já foram registrados mais de cinqüenta blecautes. O mais importante foi o de 1999, quando faltou luz durante quatro horas. A falta de energia por alguns minutos no ano é normal em todo o mundo. Em média, cada casa fica até dez horas sem luz por ano no Brasil.

O apagão não é só no Brasil

            Dois grandes apagões estão bem guardados na memória dos americanos. O maior aconteceu em novembro de 1965 e atingiu oito Estados da região nordeste do país, incluindo a cidade de Nova York. Cerca de 25 milhões de pessoas tiveram a luz cortada por doze horas. Surpreendidas, mais de 700.000 ficaram presas nos túneis do metrô. Por sorte, ninguém saiu ferido. A polícia não registrou incidentes graves e as manchetes do dia seguinte louvaram a capacidade dos nova-iorquinos de triunfar na adversidade. Em julho de 1977 outro blecaute atingiu Nova York. Dessa vez a história foi outra: as 25 horas em que faltou energia marcaram a cidade. Uma onda de saques irrompeu nos bairros pobres. Centenas de lojas foram depredadas e incendiadas. Mais de 4.000 pessoas acabaram na cadeia.

Conclusão

            Diante da crise energética que estamos passando, não nos resta outra alternativa a não ser economizarmos os 20% de gastos com energia estabelecidos pelo governo ou então, correremos o risco de ficarmos totalmente no escuro. Embora tenham feito muitas críticas sobre o apagão e a racionalização da energia em nosso país, é necessário que isto aconteça, pois, devido à falta de chuva, o aumento no consumo de energia por parte da população e a falta de investimentos nas hidrelétricas depois da privatização, o nosso país está á beira de um caos.
            Se não conscientizarmos de que o Brasil passa por uma forte crise energética, não será possível reverter esse quadro. A massa populacional está revoltada, mas as reservas que temos, realmente estão escassas, não é um jogo político. Estamos próximos de eleições para presidente, isso acontecerá no próximo ano. Será que nossos governantes seriam tão imbecis de massacrar o povo justamente agora que precisam de seus votos? Acho que não. O planeta todo está em crise, os responsáveis são todos que depredam a natureza, talvez ela esteja revoltada e está devolvendo o que recebe como tratamento.
            Agora só nos restam esperamos que chova e que o homem realmente repense no que tem feito até agora para que nosso planeta esteja nesta situação. Quem sabe assim evitaremos outras catástrofes muito mais graves do que um simples apagão.








FONTE: EDMS – Trabalhos Escolares, Educação & Diversão (ANO 2000 - 2003)


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